O último dos chipaias

Tobias chipaia prestou depoimento à imprensa de Belém, em janeiro de 1976, se apresentando como o último remanescente da tribo dos índios chipaia, juntamente com seu irmão, Marcos. Sua tribo fora exterminada em conflito com seus inimigos, kayapós, assurinis e jurunas, em consequência de doenças transmitidas pelos brancos ou porque migraram para as cidades, como foi o caso dos dois irmãos.

Tobias nasceu em 1915 e saiu logo da tribo, trabalhando como moço de convés, piloto de embarcação e, depois, como auxiliar da Funai para contatos com outras tribos. Participou da expedição chefiada por Chico Meireles de aproximação com os kayapó. Casou com uma cearense e teve nove filhos. Vivia em 1976 no rio Curuá, afluente do Iriri, em Altamira, no Pará.

(A Província do Pará, Belém/PA, 04/01/1976)

Kayath na Sudam

O presidente José Sarney nomeou, em 29 de março de 1985, o médico Henry Kayath para o cargo de superintendente da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Logo depois, telefonou para o governador do Pará, Jader Barbalho, comunicando-lhe o ato. A indicação de Kayath havia sido feita por Barbalho. O ex-governador Alacid Nunes pretendia o cargo. Ao receber a notícia, Barbalho disse que Kayath era “um homem afinado com o governo do Estado e, evidentemente, com a proposta de incentivos fiscais”.

(O Liberal, Belém/PA, 30/03/1985)

Calha Norte em ação

Em novembro de 1989 o presidente José Sarney assinou decretos criando as áreas indígenas de Pari-Cachoeira 1, 2 e 3, e os parques nacionais Pari-Cachoeira 1 e 2. Nessa região, no município de Iauereté, no Amazonas, moravam seis mil índios Tucano. É uma área conhecida como “cara de cachorro”, por seu formato. Nela atua o projeto Calha Norte, através do 1º Batalhão Especial de Fronteira.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 24/11/1989)

Malária mata yanomamis

Entre janeiro e outubro de 1989, morreram de malária em Roraima 59 índios yanomami. Mas já estavam infectadas pela doença 60 áreas indígenas. Os casos mais graves foram registrados na região do Paapiú e nas reservas de Parimiú e Xiriana. Dezenas de índios chegavam a Boa Vista doentes.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 24/11/1989)

Nasa estuda o planeta

O mais ambicioso programa de pesquisa da Nasa, a agência espacial americana, anunciado em 1990, se propunha a aplicar 50 bilhões de dólares em 25 anos, envolvendo 551 cientistas de 168 instituições de pesquisa de 14 países. O objetivo da iniciativa é entender o planeta e evitar sua destruição.

Dois cientistas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), convocados para a “Missão ao Planeta Terra”, conseguiram incluir no projeto o estudo detalhado da bacia amazônica, o maior sistema fluvial do mundo, e da floresta tropical, que ocupa 37% da área da América do Sul.

Apesar de seu papel decisivo no balanço geoquímico mundial, a Amazônia continua a ser desmatada. Além disso, certas obras, como os represamentos de rios para a construção de usinas hidrelétricas, podem provocar alterações diretas no ciclo hidrológico local, com sérias consequências no resto do mundo.

Para realizar os estudos, a Nasa lançaria vários satélites. Os dois principais deveriam custar 3 bilhões de dólares cada um, duas vezes o preço de qualquer satélite até então construído. Esses satélites serão capazes de analisar desde os ventos marítimos e as chuvas tropicais até as camadas de nuvens responsáveis pelo esfriamento do solo e o vapor de água que aquece o planeta.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 19/04/1990)

Frigorífico Atlas muda de dono

Em dezembro de 1992 foi assinado, em Belém, o contrato de transferência do controle acionário do Frigorífico Atlas para o grupo Parmato, formado por empresários dos Estados do Pará, Mato Grosso, Goiás e Tocantins, o terceiro na sucessão do empreendimento.

O projeto, instalado no município de Santana do Araguaia, no sul do Pará, foi aprovado pela Sudam em 1982. Tratava-se, então, do maior frigorífico do gênero no país, o segundo da América Latina e o quarto do mundo. Mas parou suas atividades quatro anos depois de tê-las iniciado por dificuldades de transporte e alto custo da energia elétrica, que era gerada a diesel.

O novo grupo empresarial se propunha a fazer o abate de 1.200 cabeças de gado por dia.

(Diário do Pará, Belém/PA, 24/12/1992)

Cocaína no Amazonas

Em setembro de 1994 a Polícia Federal apreendeu em Tefé, no Amazonas, 200 quilos de cocaína que estavam dentro de cinco malas, no interior de um avião tipo Cessna, prefixo PT-IHP, de São Paulo, pertencente ao empresário Raimundo Tupã.

No avião foram presos o piloto argentino Raul Boretto e mais Luís Henrique de Oliveira. Boretto disse que a carga fora financiada por Átila Morbach, preso em Belém, juntamente com Tupã. A droga foi adquirida diretamente dos produtores colombianos, mas não pertencia aos cartéis. Iria ser comercializada principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

(O Liberal, Belém/PA, 07/10/1994)