A ação de missionários estrangeiros

No início de 1990 o Ministério da Justiça e a Secretaria de Assessoramento da Defesa Nacional (Saden), que substituiu o extinto Conselho de Segurança Nacional, manifestavam preocupação com a influência das missões religiosas católicas e protestantes nas áreas indígenas, que consideravam em expansão.

A Polícia Federal foi acionada para apurar denúncias feitas pela Cooperativa dos Garimpeiros de Roraima de que integrantes da Missão Evangélica do Vale do Amazonas (Meva) estariam usando índios como garimpeiros na Serra Parima, na fronteira do Brasil com a Venezuela.

O minério estaria sendo contrabandeado para outros países. A Funai também denunciara a Missão Novas Tribos, que vinha desde 1982 atuando sem permissão nas aldeias próximas ao rio Cuminapanema, no Pará. Os religiosos dessa missão contataram irregularmente os índios, de etnia tupi. Só em 1989 a Funai teve acesso à área, na qual só era possível chegar através de helicóptero. Foram encontradas dezenas de índios doentes, gripados e com conjuntivite, por causa do contato com os missionários.

Outra fonte de preocupação do governo era a influência dos missionários salesianos sobre as tribos do Alto Rio Negro, no Amazonas, onde as missões se estabeleceram ainda no século 10. As áreas, de difícil acesso, eram alvo do Projeto Calha Norte, com a construção de pistas de pouso e fixação de pelotões de fronteira.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 24/01/1990)