As áreas úmidas da Terra

Em 1990 alguns países se reuniram na cidade iraniana de Ramsar e assinaram a Convenção sobre Áreas Úmidas de Importância Internacional. O objetivo era evitar que continuasse a rápida destruição das áreas úmidas do planeta (florestas e planícies inundáveis, pântanos, mangues, várzeas, sistemas de lagos), que funcionam como esponjas no controle dos regimes de inundações, secas e marés.

Também são filtros naturais que impedem a poluição de rios e lagos. São igualmente reservatórios de água para a agricultura e o consumo humano, e redutos de espécies raras e os maiores celeiros de peixes do globo.

O Brasil aderiu a essa convenção em 1993, quando 610 áreas já estavam sob sua proteção. A organização não-governamental WWF (Fundo Mundial para a Natureza) estava destinando US$ 12 milhões anuais para mais de 250 projetos, em 77 países.

Um deles é o Projeto Mamirauá, 12 mil quilômetros quadrados de alagados no Médio Solimões, próximo à cidade de Tefé, no Estado do Amazonas. Em 1993 o projeto se transformou em estação ecológica e passou a ser protegido internacionalmente pela Convenção Ramsar.

Milhares de lagos em Mamirauá constituem a maior área brasileira de pesca do pirarucu, uma das espécies ameaçadas de extinção na área, como o peixe-boi, a lontra, a harpia, a onça pintada e o macaco andarilho uacari-branco (Cacajao calvus calvus), o único de rabo curto da América Latina e endêmico em Mamirauá, uma raridade estudada pela primeira vez por José Márcio Ayres, diretor da estação.

(Fonte: Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 19/02/1993)