Merck na Costa Rica

Em setembro de 1991 o Instituto Nacional de Biodiversidade (Inbio), da Costa Rica, assinou um contrato de risco com a Merck, da Alemanha, a maior indústria farmacêutica do mundo, que empregava então mais de 37 mil pessoas em 18 países.

Pelo contrato, o Inbio se comprometeu a coletar e fornecer à Merck um número limitado de amostras de plantas e insetos. Pagando um milhão de dólares em dinheiro e fornecendo equipamentos e técnicos no valor de US$ 130 milhões, a Merck poderia analisar as amostras para usos farmacêuticos e agrícolas, ficando com os direitos sobre eventuais descobertas.

Em contrapartida, o Inbio receberia royalties sobre a venda de qualquer produto que a Merck conseguisse desenvolver a partir das amostras de espécies costarriquenhas. Parte do pagamento inicial e dos royalties seria destinada para programas de conservação da natureza na Costa Rica, país que criou sete áreas de conservação, abrangendo um terço do seu território.

Até alguns anos antes de assinar esse contrato, a Merck se limitava a coletar amostras no litoral norte do país. Os desmatamentos acelerados levaram a empresa a se interessar pelas regiões ao sul do Equador. Calcula-se que entre 10% e 20% dos 10 milhões de espécies de plantas e animais existentes na Terra terão sido extintas até o ano 2020, sendo que metade em regiões tropicais.

Dos 360 mil diferentes insetos existentes na Costa Rica, nem a décima parte havia sido classificada. Em 1992, ano da conferência sobre meio ambiente do Rio de Janeiro, a Merck previa investir US$ 1,1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento. Para desenvolver um novo produto, a empresa gastaria, em média, US$ 231 milhões ao longo de 10 anos.

(Jornal do Brasil,Rio de Janeiro/RJ, 08/06/1992)