Proteção ao mogno

No final de 1992 a organização ambientalista Greenpeace realizou, no sul do Pará, uma de suas “ações espetaculares”. Visou flagrar a retirada de mogno de áreas indígenas, confrontando-se com uma das serrarias que acusava de atuar na área dos índios Kayapó. As cenas ganharam as TVs e jornais da Inglaterra, que importava 50% do mogno vendido pelo Brasil ao exterior.

As organizações ambientalistas iniciaram, então, uma forte pressão sobre os exportadores, resultando na assinatura de uma Declaração de Compromisso pela Aimex (Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Pará, com 20 associados) e a Timber Tranding Federation, que reúne os importadores.

Os subscritores do documento se comprometeram a não extrair e nem comprar madeira proveniente de áreas indígenas. Ao mesmo tempo, 72 entidades que formaram a Coalizão contra o Corte Predatório de Madeira na Amazônia enviaram um dossiê ao governo brasileiro, advertindo, com base em dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que em 30 anos o mogno terá sido extinto se persistir sua exploração predatória.

Segundo o Greenpeace, entre 1971 e 1990 pelo menos 3,1 milhões de metros cúbicos de mogno foram retirados da floresta amazônica e exportados (90% da produção são dirigidas à exportação). Para que cada árvore de mogno seja abatida, 28 árvores de outras espécies são sacrificadas, o que significa que 1,4 mil metros quadrados de floresta vêm abaixo para que cada árvore de mogno seja retirada. O metro cúbico dessa madeira chega a valer US$ 850.

A área de ocorrência de mogno no Brasil compreende uma faixa de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, mas as manchas de maior densidade atingem 800 mil km2, fortemente concentradas no sul do Pará e no Acre, e com menor presença em Rondônia (o Estado mais devastado da Amazônia), Amazonas, Mato Grosso e Maranhão.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 17/01/1993)