Nasa estuda o planeta

O mais ambicioso programa de pesquisa da Nasa, a agência espacial americana, anunciado em 1990, se propunha a aplicar 50 bilhões de dólares em 25 anos, envolvendo 551 cientistas de 168 instituições de pesquisa de 14 países. O objetivo da iniciativa é entender o planeta e evitar sua destruição.

Dois cientistas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), convocados para a “Missão ao Planeta Terra”, conseguiram incluir no projeto o estudo detalhado da bacia amazônica, o maior sistema fluvial do mundo, e da floresta tropical, que ocupa 37% da área da América do Sul.

Apesar de seu papel decisivo no balanço geoquímico mundial, a Amazônia continua a ser desmatada. Além disso, certas obras, como os represamentos de rios para a construção de usinas hidrelétricas, podem provocar alterações diretas no ciclo hidrológico local, com sérias consequências no resto do mundo.

Para realizar os estudos, a Nasa lançaria vários satélites. Os dois principais deveriam custar 3 bilhões de dólares cada um, duas vezes o preço de qualquer satélite até então construído. Esses satélites serão capazes de analisar desde os ventos marítimos e as chuvas tropicais até as camadas de nuvens responsáveis pelo esfriamento do solo e o vapor de água que aquece o planeta.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 19/04/1990)