Recorde de bauxita

Em 1995, a Mineração Rio do Norte produziu 8,4 milhões de toneladas de bauxita em sua mina no vale do rio Trombetas, município de Oriximiná, no Pará, faturando 170,9 milhões de reais. Foi a melhor marca que alcançou desde o início de sua operação, em 1979. Em 1996, a empresa bateu outro recorde: 9,6 milhões de toneladas de bauxita, com receita de R$ 235,3 milhões.

O crescimento se deveu à expansão do mercado interno, com a entrada de um novo consumidor de minério, a Alunorte, produtora de alumina, também no Pará, e da expansão da produção da Alumar, em São Luís do Maranhão. A Mineração Rio do Norte é uma das maiores produtoras de bauxita do mundo.

(O Liberal, Belém/PA, 03/07/1997)

Sudam: projetos cancelados

Pela primeira vez em 35 anos de existência do órgão, o superintendente da Sudam, José Diogo Cyrillo da Silva, determinou o cancelamento de projetos aprovados sem consultar o Conselho Deliberativo (Condel). Sete projetos de colaboração financeira, no valor de 200 milhões de reais, foram cancelados pelo superintendente “ad referendum” do colegiado.

A medida foi adotada com base na suspeita de fraude nos documentos apresentados pelas empresas para a aprovação dos seus projetos. Os cancelamentos atingiram a Camazon Camarões da Amazônia, Suinpar Comércio da Amazônia, Arbol da Amazônia Indústrias Reunidas e Laminares Metal Norte, todas no Pará, mais Agroindustrial Barão de Melgaço, em Rondônia; Cimacer Comércio e Indústria de Materiais Cerâmicos, no Amapá, e Fazenda Rio Pintado, a única que ainda não havia recebido dinheiro dos incentivos fiscais.

A Sudam, que sofreu intervenção do governo federal devido a muitas irregularidades reveladas publicamente sobre a concessão de incentivos, tinha em sua carteira, nessa época, 548 projetos ativos. Neles, a colaboração financeira oficial somava mais de R$ 1 bilhão. O orçamento anual do órgão para 2001 superava R$ 400 milhões.

(Gazeta Mercantil Pará, Belém/PA, 12/04/2001)

Conspiração contra Amazônia

Em julho de 1987 foi instalada, na Câmara Federal, a CPI destinada a investigar denúncias sobre uma conspiração internacional contra a soberania brasileira sobre áreas de mineração na Amazônia. As denúncias, feitas através do jornal O Estado de S. Paulo, diziam que a manobra envolvia o Conselho Mundial das Igrejas (CMI) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O presidente da Comissão Parlamentar foi o deputado Roberto Cardoso Alves (PMDB-SP) e seu relator o senador Ronan Tito (PMDB-MG).

(O Liberal, Belém/PA, 12/07/1987)

O Pará e a energia

Em 1986 o Pará exportou para outros Estados brasileiros energia equivalente a 1,6 milhão de toneladas de petróleo, no valor de 232 milhões de dólares (US$ 20 o barril), graças ao excedente de geração da hidrelétrica de Tucuruí, inaugurada dois anos antes.

A segunda maior do país, ela deu início ao aproveitamento do potencial hidrelétrico dos rios do território paraense, representando 28% das reservas nacionais de hidreletricidade, segundo dados do balanço energético divulgado em 1988 (com dados de 1986) pelo Grupo de Estudos Energéticos do Idesp (Instituto do Desenvolvimento Econômico e Social do Pará), órgão do governo do Estado.

Segundo os técnicos, se o Pará recebesse a mesma remuneração paga aos Estados produtores de petróleo (royalty de 5% do valor da produção), sua receita teria sido engordada em mais US$ 12 milhões em função da geração hidrelétrica.

(O Liberal, Belém/PA, 23/06/1988)

O garimpo da Cutia

Em 1988 surgiu o garimpo da Cutia, no município de Curionópolis, no sul do Pará. Milhares de pessoas, muitas delas deslocadas do garimpo de Serra Pelada, às proximidades, já em decadência, foram atraídas pela notícia da descoberta de uma nova jazida de ouro.

Para poder reter o minério fino durante a lavagem do cascalho, os garimpeiros precisavam usar uma grande quantidade de mercúrio, que contaminou o único riacho da localidade, além de poluir o ar no momento da queima do metal. O garimpo, ocupando 150 hectares, evoluiu da mesma forma caótica de Serra Pelada, que surgiu em 1980.

(O Liberal, Belém/PA, 23/06/1988)

Filho de fazendeiro assassinado

Em dezembro de 1986, Tarley Lemos Andrade, filho de Jairo de Andrade, dono da Fazenda Forkilha e membro da direção nacional da UDR (União Democrática Ruralista), foi morto a tiros juntamente com um empregado, o mecânico João Batista Gonçalves.

O assassinato aconteceu em meio a uma discussão travada entre Tarley e um grupo de homens, que se apresentaram como ocupantes de propriedades vizinhas, sobre várias toras de mogno empilhadas sobre uma esplanada na divisa entre as fazendas, no município de Redenção, no sul do Pará.

Depois de atirarem no filho do fazendeiro e no mecânico, os assassinos fugiram. Alguns deles foram presos depois e responderam a processo criminal.

(Arquivo Pessoal, dezembro de 1986)

Madeira extraída dos kayapós

Em agosto de 1987 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, apreenderam 25 caminhões da madeireira Sebba carregados de mogno. Só se dispuseram a liberá-los, assim como a atividade da empresa na área, com o reajuste do preço pago pela extração de madeira dentro da reserva indígena.

Os índios de Gorotire queriam que cada metro cúbico passasse a render o equivalente a 8 OTNs (Obrigações do Tesouro Nacional) e não mais 5 OTNs, como vinha sendo praticado. Nas outras três aldeias da reserva (Kikretun, Kubenkankren e Kokraimoro), esse já era o preço cobrado pelos índios das madeireiras em atividade.

O contrato com a Sebba foi assinado em 1983. Além de remunerar os índios por cada metro cúbico de mogno extraído, até o limite de 25 mil m3, a empresa teria que construir 15 casas de alvenaria (além das 40 já existentes na aldeia), escola, enfermaria, abastecimento de água e uma estrada ligando a aldeia à cidade de Redenção.

Este seria o motivo para a Sebba pagar menos do que as outras madeireiras, desobrigadas de tais exigências, feitas apenas em Gorotire. Nenhum inventário florestal foi realizado antes da exploração da madeira, centrada no mogno, a espécie de maior valor comercial.

(O Liberal, Belém/PA, 16/08/1987)