Banco Mundial em Rondônia

Em abril de 1990 o Banco Mundial decidiu suspender, por seis meses, um empréstimo de 220 milhões de dólares destinado ao Projeto de Manejo dos Recursos Naturais de Rondônia, uma das bases de apoio ao Panafloro, destinado à reforma ambiental de Rondônia e Mato Grosso.

A causa do adiamento foi uma carta pessoal do secretário nacional de meio ambiente, José Lutzenberger, ao presidente do BIRD, Barber Conable, pedindo que antes as organizações não governamentais fossem consultadas.

O Panafloro começou a ser elaborado em 1986. Seu objetivo era o de reorientar a ocupação desordenada de Rondônia, que, em duas décadas, destruiu 42 mil quilômetros quadrados de floresta (17% do território do Estado) e provocou o inchamento da periferia de Porto Velho.

Baseado em um zoneamento agroecológico, o projeto previa a divisão de Rondônia em seis zonas: duas para desenvolvimento agrícola, três para extrativismo e preservação florestal e uma para reservas indígenas. Das 17 áreas indígenas criadas em Rondônia como condição imposta pelo Banco Mundial para financiar o Polonoroeste, 10 anos antes, 10 ainda não tinham sido regularizadas em 1990, quando o BIRD decidiu suspender a votação de um novo empréstimo.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 08/04/1990)