Balbina e os Waimiri-Atroari

Representantes da Campanha pela Vida na Amazônia, uma coalizão de 15 grupos ambientalistas da Alemanha, protestou, em fevereiro de 1989, contra o funcionamento da hidrelétrica de Balbina, no Estado do Amazonas, entregando à embaixada brasileira em Bonn um abaixo-assinado firmado por 9.130 pessoas.

A principal preocupação era com a sorte dos Waimiri-Atroari, que tiveram parte de suas terras inundadas pelo lago da barragem e foram remanejados. Lembram no documento que os problemas começaram para os índios em 1968, com a construção da BR-174, estrada Manaus-Caracaraí (depois até Boa Vista, em Roraima), que atravessou seu território, induzindo-os à reação armada contra as “frentes de pacificação” da Funai.

Em 1971, a criação da reserva Waimiri-Atroari significou a diminuição de 75% do território original do grupo. De 1974 a 1981, doenças transmitidas pelos brancos reduziram a população indígena de três mil para mil indivíduos. Em 1981, um decreto presidencial refez a reserva e lhes subtraiu 526 mil hectares, parcialmente incorporados pela Mineração Taboca, do grupo Paranapanema.

A mina do Pitinga, uma das maiores minas de estanho do mundo, passou a funcionar onde, em 1968, havia uma aldeia Waimiri-Atroari. “Desde 1983, a empresa Paranapanema vem retirando estanho da antiga terra Waimiri-Atroari e poluindo o rio Pitinga com dejetos”, dizia o abaixo-assinado.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 15/02/1989)