Fábrica da Jari explode

O pior acidente da história do Projeto Jari ocorreu em 27 de julho de 1988, quando uma violenta explosão destruiu a caldeira principal da fábrica de celulose da Companhia Florestal Monte Dourado, a sucessora do milionário americano Daniel Ludwig.

De imediato, o acidente causou um prejuízo de 18,5 milhões de dólares, que subiria  para US$ 74 milhões – equivalente a metade dos recursos necessários para a construção de uma hidrelétrica no rio Jari, que a empresa vinha tentando executar – até a fábrica retornar às atividades normais, em maio do ano seguinte.

A explosão abriu uma fenda de meio metro de altura do terceiro ao sétimo piso da caldeira, equivalente a um edifício de 12 andares. Também  retorceu as grossas vigas de sustentação do equipamento e destruiu totalmente a fornalha. Mas não houve vítimas humanas.

Antes do parecer dos técnicos contratados para apurar as causas do acidente, cujos prejuízos materiais foram cobertos pelo seguro, o presidente do sindicato dos trabalhadores, José Moreira Silva, atribuiu o acidente à sobrecarga dos equipamentos, já em fase de exaustão depois de nove anos de uso sem substituição.

Com capacidade nominal para 750 toneladas/dia, a fábrica chegou a produzir 1.056 toneladas. Chegou a bater o recorde de produção em abril de 1988, com 25.077 toneladas, façanha que chegou a ser comemorada pelos dirigentes da empresa.

A fábrica foi paralisada totalmente 30 dias antes do acidente para manutenção. Na ocasião, foram trocados diversos condutores de vapor da caldeira, que apresentavam problemas. “A explosão ocorreu nos segmentos não substituídos”, admitiu na época o chefe de manutenção, Raimundo Nonato Souza de Araújo.

A fábrica consumia então, a cada ano, 9 mil hectares de florestas cultivadas de gmelina, pinho e eucalipto, mais mil hectares de floresta nativa. Mas os plantios próprios não eram suficientes para atender a demanda e a Jari comprava madeira da Amapá Florestal e Celulose, do grupo, também o maior acionista da Jari na época.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 28/08/1989)