Madeira extraída dos kayapós

Em agosto de 1987 índios kayapó, da aldeia Gorotire, no sul do Pará, apreenderam 25 caminhões da madeireira Sebba carregados de mogno. Só se dispuseram a liberá-los, assim como a atividade da empresa na área, com o reajuste do preço pago pela extração de madeira dentro da reserva indígena.

Os índios de Gorotire queriam que cada metro cúbico passasse a render o equivalente a 8 OTNs (Obrigações do Tesouro Nacional) e não mais 5 OTNs, como vinha sendo praticado. Nas outras três aldeias da reserva (Kikretun, Kubenkankren e Kokraimoro), esse já era o preço cobrado pelos índios das madeireiras em atividade.

O contrato com a Sebba foi assinado em 1983. Além de remunerar os índios por cada metro cúbico de mogno extraído, até o limite de 25 mil m3, a empresa teria que construir 15 casas de alvenaria (além das 40 já existentes na aldeia), escola, enfermaria, abastecimento de água e uma estrada ligando a aldeia à cidade de Redenção.

Este seria o motivo para a Sebba pagar menos do que as outras madeireiras, desobrigadas de tais exigências, feitas apenas em Gorotire. Nenhum inventário florestal foi realizado antes da exploração da madeira, centrada no mogno, a espécie de maior valor comercial.

(O Liberal, Belém/PA, 16/08/1987)