Energia entre Brasil e Venezuela

Os presidentes Fernando Henrique Cardoso, pelo Brasil, e Rafael Caldera, pela Venezuela, assinaram em 1995 um conjunto de acordos para promover a integração regional entre os dois países no âmbito do Mercosul.

Um dos itens principais do entendimento foi a construção de uma linha de transmissão de energia proveniente do complexo hidrelétrico de Guri, situado no rio Caroni, no sul da Venezuela, até Boa Vista, a capital do Estado de Roraima, do lado brasileiro.

A linha cortaria o Parque Nacional Canaima, na Gran Sabana, até a cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. Em seguida, cruzaria a fronteira, conectando-se com o linhão brasileiro em Pacaraima, seguindo o traçado da BR-174 até Boa Vista, atravessando 65 quilômetros da Reserva Indígena São Marcos.

Em agosto de 2000, ONGs venezuelanas iniciaram uma campanha contra a linha, que ameaçaria de destruição as “únicas e espetaculares” paisagens da Gran Sabana, de grande valor para os índios Pemon, Akawaio e Kariná.

Já do lado brasileiro a Eletronorte assinou acordo com os índios de São Marcos, em abril de 1988, compensando a construção da linha com medidas compensatórias, dentre as quais a retirada dos ocupantes ilegais da reserva.

(Folha do Meio Ambiente,São Paulo/SP, 10/2000)

Os ataques de jacarés

Na década de1990, segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), cerca de 200 pessoas foram mordidas por jacaré no Estado do Amazonas. Quatro morreram.

Em aproximadamente 80% desses acidentes, a vítima foi infectada pela baba do jacaré, que parece transmitir uma bactéria causadora de infecção, provocando a amputação do membro de ser humano atingido pelo animal.

De quatro espécies do réptil que vivem na Amazônia, só duas – jacaré-açu e jacaré-tinga – atacam humanos. O crescimento do número de ataques derivou do aumento da população de jacarés, mais bem protegidos contra a caça indiscriminada. O problema é que nessas áreas a população foi surpreendida pela multiplicação dos animais, não sabendo mais como lidar com os animais.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 25/11/2000)

Quelônios atacados

Em outubro de 1960 o Inspetor Regional de Caça e Pesca no Pará, Cícero Sequeira, denunciou à Secretaria de Segurança Pública do Estado que em três municípios (Monte Alegre, Almeirim e Oriximiná) “se está procedendo à pesca de tartaruga e tracajás, bem assim a colheita de ovos fora de época, muito embora seja terminantemente proibido”. O secretário de segurança prometeu tomar “rigorosas providências” a respeito.

(Folha do Norte, Belém/PA, 26/10/1960)

Árvores ameaçadas

Em 1960 o engenheiro agrônomo Waldemar Cardoso, chefe da 1ª Inspetoria Regional do Serviço Florestal, em Belém, encaminhou uma exposição ao Ministério da Agricultura, solicitando medidas destinadas a conter a devastação da andirobeira e ucuubeira na região amazônica. Destacou a importância que essas duas espécies vegetais representavam para a indústria de óleos, sabões e derivados.

(Folha do Norte, Belém/PA, 26/10/1960)

A Rio Impex

Em outubro de 1960 o deputado estadual Cléo Bernardo, do PSB (Partido Socialista Brasileiro), denunciou da tribuna da Assembleia Legislativa do Pará que a firma Rio Impex havia embarcado para a Alemanha, pelo navio Askilt, 1.140 toras de mogno extraídas da região do Tocantins.

O embarque, efetuado pelo porto de Itaituba, não indicou a cubagem da madeira, embora um fiscal da Alfândega tivesse testemunhado a operação. A empresa embarcou ainda, na mesma ocasião, 40 metros cúbicos de tábuas de mogno.

Também desembarcou 10 motores de popa sem nota fiscal, o que caracterizaria contrabando. O parlamentar disse ter recebido informação de que a empresa estava comprando, por um milhão de cruzeiros (valor da época), área próxima a Abaetetuba.

(Folha do Norte, Belém/PA, 26/10/1960)

Petrobrás no Tocantins

Em 1960 a Petrobrás iniciou perfurações no rio Tocantins, na área do município de Imperatriz, no Maranhão, e em Baião e Bailique, no Pará. Em Imperatriz foi utilizada uma sonda que atuara até então na ilha Mexiana, no arquipélago do Marajó, sem sucesso.

O transporte de 400 toneladas de equipamento foi realizado através da rodovia Belém-Brasília, recém-inaugurada. A Rodobrás, que construiu e mantinha a estrada, deu apoio a dois acampamentos que a Petrobrás instalou às margens da rodovia.

(Folha do Norte, Belém/PA, 26/10/1960)

Colonização na Transamazônica

Em julho de 1971, o presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), José de Moura Cavalcanti, anunciou que em três anos, até 1974, 100 mil famílias de colonos estariam assentadas ao longo da Transamazônica, principalmente num polígono de terras Altamira, no Pará, com solos de alta fertilidade.

A média seria de seis mil famílias assentadas por mês. Cada uma delas receberia do Incra um lote de 100 hectares, uma casa de 52 metros quadrados e um salário mínimo durante seis meses. O instituto custearia todas as despesas de recrutamento e transferência de colonos.

Eles receberiam na Transamazônica financiamento do Banco do Brasil, principalmente para cultivos de café e cacau, com carência de três anos e oito para quitar a dívida. Todas as famílias teriam acesso à educação nos seus lotes.

(Folha do Norte, Belém/PA, 16/07/1971)