Controle na fronteira

Em outubro de 2000 o governo brasileiro deu início à Operação Cobra, na fronteira com a Colômbia, planejada para durar três anos, com custo de 10,4 milhões de reais, mobilizando 180 agentes da Polícia Federal e efetivos do Exército, Marinha e Aeronáutica.

O objetivo declarado da operação é evitar que os guerrilheiros das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) invadam o território brasileiro, numa eventual fuga da perseguição das autoridades colombianas.

Também foram previstas ações ambientais, além do controle da ocorrência nas águas dos rios da região de fungos que vierem a ser utilizados na destruição de 50 mil hectares de plantação de coca na região de Putumayo (rio que prossegue em território brasileiro com o nome de Içá).

Nessa região aproximadamente 50 mil agricultores colombianos vivem do plantio da coca, matéria-prima para a produção da cocaína. Os policiais teriam que controlar também a venda clandestina de produtos de origem animal e vegetal, inclusive a exploração de madeira e a comercialização de amostras dos recursos da biodiversidade.

Haveria ainda controle do ingresso e da saída de produtos estrangeiros e repressão ao trabalho escravo. Em Tabatinga, cidade fronteiriça, foi instalado o Grupo de Gerenciamento de Crise, coordenado pela PF, com representantes da Agência Brasileira de Informações (Abin), receita Federal, as três forças armadas, o Ministério das Relações Exteriores e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O grupo ficou encarregado de gerenciar a operação.

Foram instalados quatro Postos de Controle de Fronteira às margens dos rios Içá, Japurá, Uaupés e Negro, os dois últimos na região conhecida como Cabeça do Cachorro, e um posto avançado em São Gabriel da Cachoeira. Também foi formado um Grupo Tático de Patrulhamento Aéreo e uma base, localizada a 45 quilômetros de Tabatinga.

(Folha do Meio Ambiente, São Paulo/SP, 10/2000)