O sargento heroico

Em 3 de outubro de 1972 o Comando Militar da Amazônia divulgou nota oficial, em Manaus, assinada pelo tenente coronel Paulo Henrique Lisboa, chefe da 5ª Seção, comunicando o assassinato do 2º sargento Mário Abrahim da Silva, do 1º Batalhão de Infantaria da Selva.

O militar foi baleado na noite de 28 de setembro, quando fazia “a fiscalização de postos de segurança instalados para o Exército”, como parte das “manobras que o Exército realizava naquela área, com a participação da 12ª Região Militar e de outras grandes unidades”.

O sargento foi “traiçoeiramente” atingido por um tiro disparado por um “inimigo da pátria”. A nota dizia que “um terrorista” foi o autor do disparo, admitindo que “o terror tombou mais um dedicado servidor da Pátria e exemplar chefe de família”.

Mas, “longe de representar uma vitória para maus brasileiros, constituirá mais uma motivação para que aqueles que amam a nossa terra lutem em todos os campos contra atentados de tal natureza”.

Segundo o comunicado, as últimas palavras ditas pelo sargento logo depois de ferido (“Aferrem-se ao terreno, varram a área com tiro e mantenham a segurança”) “hão de ecoar por toda a Amazônia como lição de responsabilidade e amor ao Brasil”.

Antes de morrer, Abrahim teria chamado o sargento Bonifácio e lhe passado o comando com as derradeiras palavras: “A boina-verde é sua, companheiro. Comande nossos homens para que a Pátria permaneça livre e democrática”. O CMA mandou reazar missa pela memória do sargento morto na Catedral Metropolitana de Manaus.

(Folha do Norte, Belém/PA, 4/10/1972)