Os EUA de olho na Amazônia

Em setembro de 1967, funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por solicitação do ministro Magalhães Pinto, mantiveram contato com o Hudson Institute, em Nova York. O objetivo era “colher dados que permitissem avaliar, de forma precisa, a natureza e o alcance” do projeto que o instituto apresentara, para a formação de um sistema de grandes lagos na Amazônia latino-americana, o principal dos quais seria o Grande Lago do rio Amazonas, à altura de Óbidos, no Pará.

A informação foi prestada pelo ministro, em 1968, à Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Câmara Federal para apreciar o projeto. Magalhães Pinto disse que 85% do orçamento do Hudson, uma entidade voltada para a pesquisa e o planejamento político, sobretudo dos campos internacional e de segurança dos Estados Unidos, provinha de contratos com agências oficiais norte-americanas. A principal delas era o Departamento de Defesa.

O interesse do Hudson pela Amazônia seria um dos reflexos da importância assumida pela região, “à medida que se tornam escassas as matérias primas de que necessitam os grandes centros industriais do mundo”.

O plano dos grandes lagos, além dos seus objetivos econômicos, teria a finalidade de facilitar as comunicações no interior do continente “e evitar que se forme na área um maior adensamento demográfico e, consequentemente, um foco de poder que modifique o equilíbrio continental”.

(Folha do Norte, Belém/PA, 27/08/1968)