Ataque aos suruí

Em 1964, Durval Augusto dos Reis comandou uma invasão das terras dos índios suruí, localizadas no grotão dos Caboclos, em São João do Araguaia, no Pará. A denúncia foi apresentada em Belém pelo frei Gil Gomes, da missão religiosa dominicana estabelecida naquele município.

(Folha do Norte, Belém/PA, 17/04/1964)

A vazão do rio Amazonas

Em julho e outubro de 1963 foram realizadas duas campanhas de medição da descarga líquida do rio Amazonas, a mais importante até então realizada.

Utilizando a corveta Iguatemi, da Marinha brasileira, pesquisadores da Universidade do Brasil, da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha e da Flotilha do Amazonas, com a participação de técnicos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (Geological Survey), passaram 19 dias na pesquisa, utilizando os mais modernos equipamentos de medição.

Constataram que no trecho mais estreito do seu curso no Brasil, em Óbidos, no Pará, o Amazonas tem uma vazão média de 150 mil metros cúbicos de água por segundo. Na embocadura, essa média chega a 250 mil metros cúbicos.

(A Província do Pará, Belém/PA, 16/12/1966)

Japão fora da Alunorte

Em 1988, o consórcio japonês NAAC (Nippon Amazon Alumminium Company) abandonou o projeto Alunorte, destinado a produzir alumina em Barcarena, a 25 quilômetros de Belém, no Pará, em associação com a Companhia Vale do Rio Doce.

A razão apresentada para a decisão foi a queda no preço do produto, que chegou a 90 dólares a tonelada. Até o início de 1990, no projeto já haviam sido investidos 300 milhões de dólares, mas ainda faltavam US$ 500 milhões para concluí-lo.

A fábrica foi dimensionada para produzir 1,1 milhão de toneladas anuais, das quais 640 mil para suprir de alumina a fábrica de alumínio da Albrás, também controlada pela Vale e japoneses.

(O Liberal, Belém/PA, 28/07/1990)

Casaldáliga em Roma

Em julho de 1986, a pretexto de fazer visita “ad limina” ao papa João Paulo II, que deixara de fazer dois anos antes, quando todos os bispos da região foram a Roma, o bispo d. Pedro Casaldáliga, da diocese de São Félix do Araguaia, em  Mato Grosso, visitou o Vaticano.

Conversou durante 15 minutos com o papa e por uma hora e meia com o cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Mas não recebeu qualquer punição, ao contrário do que previam os observadores.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 23/06/1988)

Trabalho escravo em Rondônia

Em julho de 1987, fiscais do Ministério do Trabalho e agentes da Polícia Federal libertaram 62 trabalhadores mantidos sob regime de escravidão na fazenda Santa Bárbara, de 100 mil hectares, pertencente aos irmãos Lopes, donos de uma concessionária Scania em Londrina, no Paraná.

Foram presos o agenciador dos trabalhadores, Eugênio Ferreira da Paixão, e o gerente da fazenda, localizada a 300 quilômetros de Porto Velho. Os peões haviam sido agenciados pelo “gato” em Porangatu, Goiás.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 08/07/1987)

Conflito de terras no Maranhão

Um grupo de posseiros da gleba Riachuelo, próxima ao povoado São José dos Mouras, a 250 quilômetros de São Luís, no Maranhão, organizaram uma tocaia e mataram, em junho de 1987, o capataz Manoel Messias Ferreira, supostamente irmão do fazendeiro Francisco Ferreira, mais conhecido como Chico Messias.

Desde o ano anterior ocorriam conflitos na fazenda, de 2.600 hectares, onde 30 famílias de posseiros se haviam estabelecido. Um mês antes do assassinato do capataz a fazenda foi considerada de interesse social para fins de desapropriação, dentro do programa nacional de reforma agrária.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 23/06/1987)

Questão da terra no Araguaia/Tocantins

Entre 1982 e 1987 a CPT (Comissão Pastoral da Terra) do Araguaia/Tocantins registrou 223 mortes causadas por questões fundiárias entre o norte de Mato Grosso, norte de Goiás (atual Tocantins) e sudeste do Pará. Nesses mesmos seis anos, outras 1.505 pessoas receberam ameaças de morte. Pelo levantamento, divulgado em 1988, entre 1985 e 1987 foram registradas 3.160 ações possessórias contra famílias de trabalhadores rurais.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 23/06/1988)