Ocupação em Carajás

Em junho de 1990, cerca de 500 famílias de posseiros voltaram a invadir uma área em torno do projeto de minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce na serra dos Carajás, no Pará, conhecida como Cinturão Verde, depois de  um confronto com os seguranças da empresa. Muitos dos  colonos estavam armados de espingarda calibre 20.

Antes de qualquer decisão da justiça a respeito da invasão, os colonos começaram a fazer plantios de feijão, arroz e milho, enquanto construíam barracos na área, que batizaram de Vila União Marcos Freire, em homenagem ao ex-ministro da reforma agrária, morto em Carajás, num acidente de avião, em setembro de 1998.

Na frente da vila os colonos colocaram uma faixa com o nome de Marcos Freire e a inscrição: “Ele veio para nos salvar e foi morto pelos poderosos”, numa alusão à versão de que o acidente com o jatinho do ministro teria sido provocado por adversários da reforma agrária no Pará.

(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro/RJ, 06/06/1990)

Pombo no lugar de Raoni

Em junho de 1990, o cacique Tutu-Pombo anunciou, em Belém, que assumira a função de representante de todos os índios kayapó, em substituição ao cacique Raoni, seu tio. A decisão, segundo Pombo, foi tomada por 44 caciques que se reuniram para fazer a escolha.

Lamentou a substituição de Raoni, mas lembrou que, além de não falar português, o famoso cacique ficava pouco tempo junto ao seu povo por causa das constantes viagens que estava fazendo para o exterior. Pombo anunciou que os kayapó continuariam a vender madeira, mas apenas as árvores já abatidas, e que também fariam a exploração do garimpo de ouro.

(Diário do Pará, Belém/PA, 09/06/1990)

Trabalho escravo na fazenda

Uma operação conjunta da delegacia regional do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal comprovou que 63 trabalhadores eram mantidos em regime de escravidão na fazenda Santo Antônio, de propriedade de Antônio Inácio da Silva, distante 45 quilômetros da sede do município de Redenção, no sul do Pará.

A fazenda existia de fato, mas não de direito. porque não possuía qualquer registro, nem mesmo CGC. Cinquenta trabalhadores foram indenizados pelo gerente da propriedade e 13 foram contratados por outra fazenda.

(O Liberal, Belém/PA, 05/07/1986)

Pesca de pirarucu em Tucuruí

Em agosto de 1887, a Sudepe (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca) suspendeu, em caráter emergencial, a pesca de pirarucu nas águas do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, com o emprego de rede de qualquer espécie. A pesca permaneceria apenas para o uso de arpão e flecha (a fisga de corda).

A medida foi adotada em caráter experimental a pedido da Federação dos Pescadores do Pará e das colônias Z-30, de Marabá, Z-32, de Tucuruí, e Z-44, de Itupiranga.

(A Província do Pará,Belém/PA, 28/08/1987)

Trabalho escravo em S. Félix

Em outubro de 1987, Carlos Augusto Alves Oliveira, 21 anos, estudante, natural de Águas Brancas, no Piauí, denunciou à imprensa de Belém ter trabalhado durante 10 dias, sob regime de escravidão, numa plantação de jaborandi da empresa Vegetex, em São Félix do Xingu, no Pará.

Disse ter conseguido fugir aproveitando a fuga de dois menores, que também trabalhavam na plantação. O regime de trabalho ia das 5 da manhã às 15 horas e os empregados eram alimentados apenas com arroz e feijão.

(O Liberal, Belém/PA, 16/10/1987)

O descaminho do ouro

Ao longo da década de 1980, o Pará produziu 159,8 toneladas de ouro, segundo os registros oficiais. Mas o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) calculava que apenas 20% da produção efetivamente obtida foram declaradas.

O descaminho do ouro teria alcançado 514,8 toneladas no período. Esse total não inclui, entretanto, as perdas do metal nos garimpos, consideradas muito grandes. A quase totalidade do ouro produzido na década de 80 originou-se de garimpos, responsáveis, na Amazônia, por metade da produção nacional.

(Diário do Pará, Belém/PA, 03/03/1991)

Ameaça aos índios em Rondônia

No final de 1990, garimpeiros começaram a invadir várias reservas indígenas em Rondônia à procura de ouro. Os primeiros alvos foram dois pontos da reserva dos uru-eu-wau-wau, em Bom Princípio e nas cercanias de Jaru, a 250 quilômetros de Porto Velho. Depois, se deslocaram para o norte do Estado, atingindo a reserva, de 195 mil hectares, onde se abrigaram os últimos índios karipuna.

Antes do contato com os brancos, eles somavam 100 indivíduos. Em 1990, restavam cerca de 20 índios. A Funai temia a extinção dos karipuna com a invasão. O órgão se dizia sem recursos para atuar nas 17 áreas indígenas de Rondônia.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 02/01/1991)

Ataque aos suruí

Em 1964, Durval Augusto dos Reis comandou uma invasão das terras dos índios suruí, localizadas no grotão dos Caboclos, em São João do Araguaia, no Pará. A denúncia foi apresentada em Belém pelo frei Gil Gomes, da missão religiosa dominicana estabelecida naquele município.

(Folha do Norte, Belém/PA, 17/04/1964)

A vazão do rio Amazonas

Em julho e outubro de 1963 foram realizadas duas campanhas de medição da descarga líquida do rio Amazonas, a mais importante até então realizada.

Utilizando a corveta Iguatemi, da Marinha brasileira, pesquisadores da Universidade do Brasil, da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha e da Flotilha do Amazonas, com a participação de técnicos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (Geological Survey), passaram 19 dias na pesquisa, utilizando os mais modernos equipamentos de medição.

Constataram que no trecho mais estreito do seu curso no Brasil, em Óbidos, no Pará, o Amazonas tem uma vazão média de 150 mil metros cúbicos de água por segundo. Na embocadura, essa média chega a 250 mil metros cúbicos.

(A Província do Pará, Belém/PA, 16/12/1966)

Japão fora da Alunorte

Em 1988, o consórcio japonês NAAC (Nippon Amazon Alumminium Company) abandonou o projeto Alunorte, destinado a produzir alumina em Barcarena, a 25 quilômetros de Belém, no Pará, em associação com a Companhia Vale do Rio Doce.

A razão apresentada para a decisão foi a queda no preço do produto, que chegou a 90 dólares a tonelada. Até o início de 1990, no projeto já haviam sido investidos 300 milhões de dólares, mas ainda faltavam US$ 500 milhões para concluí-lo.

A fábrica foi dimensionada para produzir 1,1 milhão de toneladas anuais, das quais 640 mil para suprir de alumina a fábrica de alumínio da Albrás, também controlada pela Vale e japoneses.

(O Liberal, Belém/PA, 28/07/1990)