Biopirataria com aranhas

Keila Cristina Gonçalves Marinho foi detida pela Polícia Federal ao desembarcar no aeroporto de Recife, em novembro de 1999. Ela conduzia 130 aranhas caranguejeiras vuvas em sua bagagem de mão. Os animais foram adquiridos em Santarém, no Pará, onde ela embarcou. O veneno das aranhas é usado pela indústria farmacêutica na produção de soros.

Esse interesse explicaria o envolvimento do suíço Hans Rechsteiner, que, segundo Cristina, pagou quatro reais por cada aranha e lhe daria R$ 15 por animal se ela levasse a encomenda até Laufenfingen, na Suíça, onde ele lhe disse que mora.

A PF pernambucana decidiu deter logo a mulher por temer que ela fugisse e expor os animais ao risco de morte ou extravio. Mas com isso não pôde caracterizar o crime de contrabando. Depois de ser autuada por técnicos do Ibama em R$ 45 mil pelo delito de transporte não-autorizado de aranhas e pagar fiança, Keila Cristina foi liberada e pôde seguir viagem para Zurique. Os insetos foram doados ao Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco.

(Diário do Pará, Belém/PA, 09/11/1999)