Grilagem em terra kayapó

Em novembro de 2000, o juiz federal substituto de Marabá, no Pará, Francisco Alexandre Ribeiro, concedeu tutela antecipada à ação civil pública proposta pela Procuradoria Regional da República no Pará. Com a decisão judicial, ninguém poderia ocupar os imóveis rurais denominados Gleba Carapanã, Fazenda Carapanã e Fazenda Santa Margarida, no município de São Félix do Xingu. Ao mesmo tempo, os registros dessas áreas ficariam indisponíveis.

Segundo o Ministério Público, essas terras, ocupando três milhões de hectares, se superpõem à reserva indígena kayapó, que teve sua demarcação homologada e registrada em cartório, em 1991. Apesar da restrição, as áreas foram negociadas com vários particulares e as empresas Worldwide Ecological e Allied Cambridge LCC.

O preço de venda foi de 2,3 milhões de reais, quando, pelos valores de mercado, a área devia valer R$ 300 milhões, 100 vezes mais. A operação caracterizaria uma grilagem e esbulho aos direitos dos índios, segundo a ação do MP.

(O Liberal, Belém/PA, 20/11/2000)