Garimpo destruidor

Em 1988, setores do governo de Mato Grosso calculavam que 350 mil pessoas (cerca de 10% da população do Estado) trabalhavam em garimpos, à cata de ouro e diamante. Só de ouro, 60 toneladas estariam sendo desviadas da comercialização regular pelo contrabando.

Os efeitos da garimpagem eram danosos ao meio ambiente. Em Aripuanã, por exemplo, 30 mil homens, cavando atrás de diamante, estavam inutilizando as águas do rio Juína, antes usadas no abastecimento doméstico da população do município.

Os danos causados ao Pantanal pelo garimpo de Poconé levariam 100 anos para ser recuperados. O rio Bento Gomes, que antes fornecia água potável para uma região de mais de 23 mil habitantes, ficou comprometido pelo assoreamento de suas margens por causa do mercúrio que passou a transportar.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 29/08/1989)