Uso de agente laranja?

Em dezembro de 1983, a Eletronorte divulgou uma nota oficial declarando que “jamais usou” o produto químico conhecido como “agente laranja” para controlar a rebrota de plantas ao longo da linha de transmissão de energia Norte/Nordeste, conforme denúncia feita na época.

Disse ter efetuado “desmatamento por meios mecânicos e manuais” nos 800 quilômetros de extensão da linha e passou a fazer o controle da rebrota utilizando o herbicida marca Tordon 101 BR, para “evitar o renascimento de certos tipos de vegetais”. Essa aplicação teria sido feita “por veículos terrestres com aspersores de controle manual e por firma especializada para tal, cadastrada no Ministério da Agricultura”.

Na nota, a Eletronorte nega também que o produto químico tenha causado a morte de 11 reses da fazenda Ipê, de propriedade de Valcedir Palhares. Em março de 1983, Palhares cobrou indenização da empresa, alegando a morte de seus animais por envenenamento provocado pelo herbicida.

Relatando a série de providências adotadas para investigar o fato, com exames e análises realizados por diversas instituições, como o Inpa, a Fcap, a Unesp e o Ministério da Agricultura, a nota conclui com o relatório dos pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista.

O laudo conclui que a causa da morte dos bovinos e a precária situação de vários outros animais na fazenda “não pode ser atribuída a apenas um fator, mas, sim, a associação de fatores, que inclui: manejo, desnutrição, deficiências minerais (principalmente magnésio e fósforo). Tudo isso associado a parasitoses gastrointestinais e pancreáticas, culminando com um processo de emagrecimento progressivo até chegar à caquexia e morte”.

A Eletronorte julgava assim “estar comprovada cientificamente a inexistência de efeitos secundários resultantes do processo de controle de rebrota utilizado”.

(O Liberal, Belém/PA, 25/12/1983)

Morte entre garimpeiros

Doze garimpeiros morreram e cerca de 10 ficaram feridos em dois tiroteios ocorridos em novembro de 1989, nos garimpos da região de Parima, em Roraima, região habitada pelos índios Yanomami. Os tiroteios foram provocados por desavenças entre os próprios garimpeiros, em incidentes envolvendo mulheres e bebidas.

(Folha de S. Paulo, São Paulo/SP, 24/11/1989)

Malária: alta incidência

Um milhão de pessoas morrem a cada ano (uma morte a cada 30 segundos) por causa da malária, a doença que tem as mais altas taxas de mortalidade e morbidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 40% da população mundial vive em áreas de risco e o número de doentes ultrapassou 270 milhões em 1992 (660 mil no Brasil, correspondendo a dois terços do total da América Latina). A África é o continente mais afetado, com 90% dos casos. O Brasil é o segundo país mais atingido, depois da Índia. Dois terços dos casos brasileiros ocorrem na Amazônia.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 18/10/1993)

Os japoneses e o ouro

Em agosto de 1989, a firma Rio Amazonas Representações, do economista japonês Akio Miyake, assinou convênio com a Bishmetal Exploration, subsidiária da Mitsubish Metal Company, e o Sindicato Nacional dos Garimpeiros, para o fornecimento de tecnologia de exploração do ouro de Serra Pelada, no Pará, e administração da compra de ouro.

Uma equipe de técnicos da Bishmetal esteve no garimpo fazendo levantamentos nos rejeitos da extração manual, onde ainda seria possível fazer a recuperação do ouro através de uma mina, que custaria 15 milhões de dólares.

O projeto foi apresentado na época ao governo federal, mas não evoluiu, até que o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, o apresentou – em fevereiro de 1990 – como parte de um projeto ainda mais amplo para os japoneses comprarem a dívida externa brasileira em troca do direito de explorar todas as jazidas de ouro existentes na Amazônia. As reservas medidas de ouro do Brasil eram, na época, de 1.500 toneladas, colocando-o em quinto lugar no “ranking” mundial.

Vários técnicos, porém, consideravam que as reservas podiam chegar a 33 mil toneladas, superiores às da África do Sul. Em 1987 a produção oficial de ouro no Brasil foi de 35,8 toneladas, inferior às da África do Sul, União Soviética, Estados Unidos, Canadá, Austrália e China.

Técnicos do DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) achavam, entretanto, que a produção declarada dos garimpos era apenas 20% da produção efetiva. Havia no Brasil 17 áreas reservadas à garimpagem legal, com uma população de 283.800 pessoas.

(O Globo, Rio de Janeiro/RJ, 06/02/1990)

Pará: o caos fundiário

Falando na Câmara Federal para uma comissão especial encarregada de propor medidas sobre a reforma agrária, em agosto de 1985, o governador do Pará, Jader Barbalho, destacou as distorções na estrutura de posse da terra no Estado.

Citou números do cadastro do Incra, revelando que oito pessoas físicas e jurídicas detinham 1,5 milhão de hectares e três anos depois já possuíam 6 milhões de hectares. A área apropriada por esses empreendimentos no período, de 4,5 milhões de hectares, superava em 40% toda a extensão ocupada pelos 196 mil estabelecimentos agropecuários de até 100 hectares recenseados pelo IBGE em 1980.

Informou o governador que mais de dois terços dos 17 milhões de hectares de área total aproveitável dos latifúndios eram mantidos sem utilização, enquanto permaneciam sem terra aproximadamente 160 mil trabalhadores rurais.

Um por cento do total de estabelecimentos agropastoris concentravam 57% da terra ocupada, empregando somente 3% da mão de obra rural e contribuindo com apenas 14% do valor bruto da produção, apesar de terem recebido 36% do volume de crédito ofertado ao setor primário estadual.

No Pará ocorreram, em 1981, 36% dos conflitos de terra registrados em todo o país. Em 1984, 75% dos conflitos de terra se localizavam no sul do Estado.

(A Província do Pará, Belém/PA, 14/04/1985)

NYT e a floresta amazônica

O jornal New York Times defendeu, em editorial publicado em fevereiro de 1989, a utilização de parte da dívida externa brasileira, então de 11 bilhões de dólares, para impedir a continuação da destruição da floresta amazônica. Observou que o ministro das relações exteriores, Abreu Sodré, aprovou a iniciativa, mas ela foi vetada pelo presidente José Sarney, empenhado em não permitir que a Amazônia se transformasse num “Golfo Pérsico verde”.

Esses temores, segundo o jornal, “carecem de fundamento e foram elaborados pelos generais”. O Times sugeria o seguinte plano para proteger a floresta:

“Suponhamos que pessoas no Ocidente possam reunir 4 bilhões de dólares para preservar as selvas da Amazônia. Com esse dinheiro se poderia comprar cerca de US$ 8 bilhões em valor nominal da dívida brasileira e os títulos seriam trocados por esse montante em moeda local. Os títulos seriam então dados a um instituto ambiental brasileiro encarregado de proteger as florestas”.

(O Liberal, Belém/PA, 04/02/1989)

Hanseníase no Amazonas

Até julho de 1985, a Secretaria de Saúde do Amazonas registrou 23 mil doentes de hanseníase, 70% dos quais estavam sob controle. Esse elevado índice era atribuído ao modelo econômico aplicado na região desde a época áurea da borracha, com a imigração de numerosos contingentes de nordestinos, que já chegaram em péssimas condições de saúde e foram viver em situação ainda pior na região. Assim, o bacilo de Hansen encontrou condições favoráveis para proliferar.

(O Liberal, Belém/PA, 04/07/1985)