Açúcar na Transamazônica

Entre 1971 e 1973, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) construiu na Transamazônica, no Pará, a 100 quilômetros de Altamira, uma usina de açúcar e álcool que passou a ser conhecida como Pacal (Projeto Agro-Canavieiro Abraham Lincoln, mais tarde rebatizada para Usina Henrique Silva Dantas, em homenagem ao pioneiro que introduziu o plantio de cana na região).

A usina foi inaugurada simbolicamente no início de 1974 porque ainda não havia então cana de açúcar para moer. Seu funcionamento efetivo só ocorreu um ano depois, quando a empresa Zanini concluiu as obras.

Em 1976, o Incra criou O grupo de Trabalho Pacal para conduzir a implantação do projeto, com o plantio de 1.200 hectares de cana destinada à produção de álcool carburante. Em 1977 foram plantados mais 1.800 hectares. Em 1978 o total da área plantada já era de 10.600 hectares.

Em janeiro de 1979 o Incra emancipou o projeto. Nesse ano a Cotrijuí, cooperativa agrícola do Rio Grande do Sul, recebeu do governo federal concessão sobre uma área de 400 mil hectares, contígua ao Pacal, onde pretendia assentar 10 mil famílias de agricultores, mas a concessão foi cancelada porque a terra foi considerado de domínio dos índios Arara.

A Cotrijuí se interessou então em ficar com o Pacal, mas, depois de duas safras, devolveu o projeto ao Incra e se retirou da área. O Incra vendeu o projeto à Construtora e Incorporadora Carneiro da Cunha Nóbrega Ltda. (Conan), que comandou as safras de 1981 e 1982.

Em 1982, as relações com os produtores se deteriorou porque eles não foram pagos. A Conan também se retirou do projeto e ainda acionou o Incra na justiça, pedindo rescisão do contrato e indenização.

Através da Associação dos Fornecedores de Cana da Transamazônica (Asfort), os colonos exigiram que o governo reassumisse o controle do patrimônio, concedido pela justiça, em agosto de 1987. Em março de 1986 foi a Cooperativa Integral de Reforma Agrária (Cira), que ficou com o controle do Pacal.

(O Liberal, Belém/PA, 04/12/1987)