Pará: o caos fundiário

Falando na Câmara Federal para uma comissão especial encarregada de propor medidas sobre a reforma agrária, em agosto de 1985, o governador do Pará, Jader Barbalho, destacou as distorções na estrutura de posse da terra no Estado.

Citou números do cadastro do Incra, revelando que oito pessoas físicas e jurídicas detinham 1,5 milhão de hectares e três anos depois já possuíam 6 milhões de hectares. A área apropriada por esses empreendimentos no período, de 4,5 milhões de hectares, superava em 40% toda a extensão ocupada pelos 196 mil estabelecimentos agropecuários de até 100 hectares recenseados pelo IBGE em 1980.

Informou o governador que mais de dois terços dos 17 milhões de hectares de área total aproveitável dos latifúndios eram mantidos sem utilização, enquanto permaneciam sem terra aproximadamente 160 mil trabalhadores rurais.

Um por cento do total de estabelecimentos agropastoris concentravam 57% da terra ocupada, empregando somente 3% da mão de obra rural e contribuindo com apenas 14% do valor bruto da produção, apesar de terem recebido 36% do volume de crédito ofertado ao setor primário estadual.

No Pará ocorreram, em 1981, 36% dos conflitos de terra registrados em todo o país. Em 1984, 75% dos conflitos de terra se localizavam no sul do Estado.

(A Província do Pará, Belém/PA, 14/04/1985)