Parakanans atacam

 

Índios Parakanan atacaram, em novembro de 1952, o posto de uma frente de atração do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), em Trocará, na região do rio Tocantins, no Pará. Um funcionário do posto, Altino Rodrigues, foi ferido durante o ataque. Os índios já haviam feito vários contatos pacíficos com os sertanistas do SPI.

(Folha do Norte, Belém/PA, 12/11/52)

Alvo japonês

Uma missão técnica japonesa com 21 integrantes, chefiada pelo deputado Shiro Kyono, de São Paulo, esteve na Amazônia em outubro de 1964 para avaliar o potencial de vários produtos naturais da região, ainda em condições econômicas e de comercialização desconhecidas. O objetivo era definir as possibilidades de aproveitamento racional de diversos produtos da flora equatorial. Um dos alvos era o babaçu. Os técnicos estiveram no município de Tomé-Açu, no Pará, onde visitaram os plantios de pimenta-do-reino feitos por imigrantes japoneses.

(Folha do Norte (Belém/PA), 14/10/1964)

A ação da Rio Impex

Em abril de 1961, o deputado estadual Cléo Bernardo criticou, da tribuna da Assembleia Legislativa do Pará, a Rio Impex, estabelecida no município de Itupiranga. A empresa alemã teria obstruído o igarapé Lago Vermelho, tributário do rio Tocantins, com cerca de 700 toros de mogno, impedindo assim o escoamento de mais de mil hectolitros de castanha que seriam levados para Belém e exportados.

Esse seria mais um dos abusos praticados pela empresa contra a população da região. Já antes ela teria comprado todo o estoque de boi em pé existente no município, “controlando o preço e as condições de venda”. Também estaria se recusando a pagar os impostos lançados pela prefeitura de Itupiranga, obrigando o poder público a cobrá-los judicialmente.

(Folha do Norte, Belém/PA, 20/04/1961)

Exploração florestal

No início de 1961, os governos dos Estados do Pará e do Amazonas concederam à empresa Indústrias Florestais do Amazonas S/A permissão para fazer exploração florestal em terras devolutas estaduais pelo prazo de 25 anos, que poderia ser prorrogado.

(Folha do Norte, Belém/PA, 16/04/1961)

A construção da estrada

A primeira etapa da construção da rodovia Transamazônica, entre Estreito e Itaituba, no Pará, foi iniciada em setembro de 1970, com duas frentes de serviço partindo dos dois pontos entremos para se juntarem no meio do percurso. Foram mobilizados seis mil trabalhadores nessa empreitada.

A segunda etapa, de Itaituba a Humaitá, começou em março de 1971, em pleno período de chuvas fortes na região, o que dificultou muito o trabalho de fixação da linha base dessa segunda etapa da estrada. Para dar apoio à construção foram abertos 12 campos de pouco ao longo do traçado.

Pequenos aviões faziam voos diários entre os vários trechos, mantendo as comunicações, impossíveis por terra. Os aviões também levavam alimentos, mas a comida básica dos trabalhadores provinha de caça. Por isso, foram contratados caçadores da própria região.

A construção da estrada de processava em sete fases distintas: 1 – Abertura da linha base, que é a locação inicial do traçado; 2 – Desmatamento e derrubada, segundo a linha locada; 3 – Destocamento e limpeza de uma área de 70 metros de largura em toda a extensão da linha da estrada; 4 – Projeto topográfico; 5 – Terraplenagem; 6 – Caminho de serviço; e 7 – Revestimento primário, que é o encascalhamento da pista.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 01/07/1971)

Transamazônica: 5 mil quilômetros

Encerrando uma visita de cinco dias à região amazônica, o presidente Garrastazu Médici, juntamente com vários ministros, inaugurou o primeiro trecho da rodovia Transamazônica em Marabá, no Pará, no dia 1º de outubro de 1971. O trecho inaugurado, entre Estreito, na Belém-Brasília, e Marabá, no rio Tocantins, tinha 260 quilômetros de extensão.

A inauguração ocorreu 15 meses depois que Médici criou, através de decreto-lei, o Programa de Integração Nacional. Os dois principais objetivos do PIN seriam a construção de duas grandes rodovias, a Transamazônica e a Cuiabá-Santarém, e a implantação de projetos de colonização às suas margens.

Poucos meses depois de tomar posse na presidência, Médici lançou – em fevereiro de 1970 – o Plano de Base de Integração da Amazônia, “destinado a estimular a penetração e a fixação do homem na região, através da ocupação de suas terras, pelo estabelecimento de um programa integrado de colonização e de desenvolvimento”.

Cinco meses depois, ele agregaria às rodovias incluídas nesse primeiro programa as duas novas do PIN. Falando em nome do presidente na entrega simbólica do primeiro trecho da Transamazônica, o ministro dos Transportes, Mário Andreazza, anunciou para 1972 a conclusão do segundo trecho, de Marabá a Itaituba, e para meados de 1973 a conclusão do trecho seguinte, de Itaituba a Humaitá, já no Estado do Amazonas.

Assim, seria possível ir por terra de João Pessoa, no Atlântico, até Boqueirão da Esperança, na fronteira do Acre com o Peru. numa linha de mais de cinco mil quilômetros atravessando a floresta amazônica.

(Correio da Manhã, Rio de Janeiro/RJ, 02/10/1971)

Presidente na Transamazônica

Em 28 de setembro de 1971, o presidente Garrastazu Médici iniciou, em Itaituba, no Pará, sua primeira visita de inspeção às obras da rodovia Transamazônica, à frente de uma comitiva de ministros. O presidente percorreu 11 quilômetros de estrada, de revestimento primário, e fez a travessia do rio Tapajós, entre Itaituba e Miritituba. Depois, ouviu uma palestra sobre o andamento da construção da estrada.

O diretor-geral do DNER, Eliseu Resende, informou que no percurso integral da Transamazônica, de 5.449 quilômetros, desde João Pessoa até a fronteira com o Peru, nove balsas seriam usadas para a travessia dos rios, além de construídas muitas pontes de madeira. Até 31 de dezembro de 1971 estava previsto a terraplenagem de 1.500 quilômetros de estrada.

O DNER estava gastando 150 mil cruzeiros (da época) por quilômetro construído. Contava com o trabalho de quase quatro mil homens, sendo 3.600 peões e 400 administradores e engenheiros. O investimento total previsto então era de 390 milhões de cruzeiros.

(O Estado de S. Paulo, São Paulo/SP, 29/09/1971)