Primeiros contatos com kreenakarore

Os irmãos Orlando e Cláudio Vilas Boas, sertanistas da Funai, fizeram os dois primeiros contatos com os índios kreenakarore, que se mantinham em isolamento até então, num intervalo de dois dias. O mais consistente foi no início de fevereiro de 1973, às margens do rio Peixoto de Azevedo, em Mato Grosso, onde haviam montado um acampamento para sua frente de atração.

Os Vilas Boas estavam casualmente no local, acompanhados de jornalistas e outros integrantes da expedição, quando, do outro lado do rio, surgiram dois índios jovens, aparentando 18 e 20 anos. A aproximação foi tensa da parte dos índios, que estavam dispostos ao contato, mas pareciam amedrontados e nervosos.

Houve troca de presentes entre os sertanistas e os kreenakarore, na época mais conhecidos como “índios gigantes”, e uma tentativa de se fazer entender, dificultada porque nem mesmo os índios xinguanos que acompanhavam os Vilas Boas entendiam a língua dos dois guerreiros kreenakarore. Entoando um canto, eles desapareceram no meio da mata, enquanto os sertanistas voltavam ao acampamento.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 10/02/1973

A proximação dos waimiri-atroari

Em janeiro de 1973, os índios waimiri-atroari do posto Kamaraú, no Estado do Amazonas, impediram o trabalho do cinegrafista francês Raul Lambert, que documentava a tribo. A Funai explicou que o cinegrafista não chegou a ser expulso da aldeia.

A reação se originou de um desentendimento: os índios já conheciam máquinas fotográficas, mas jamais haviam visto uma câmara de cinema e se assustaram com o aparelho, quando o francês o empunhou na direção de alguns integrantes da tribo, comandada pelo cacique Maruaga.

Os waimiri-atroari ganharam destaque internacional quando mataram os 12 integrantes da expedição Calleri, em 1968. Até 1972, eram considerados arredios nos mapas da Funai. A partir daí passaram à classificação de “em contatos intermitentes”, graças aos trabalhos de Gilberto Pinto, considerado um dos melhores sertanistas da Funai.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ, 25/01/1973)

Reserva dos kreenakarore

Em março de 1973, o presidente Garrastazu Médici assinou decreto interditando a área habitada pelos índios Kreenakarore, na divisa do Mato Grosso com o Pará. O ato tinha o objetivo de criar condições para que a Funai, “a salvo de qualquer tipo de ingerência, promova a atração daquele povo indígena”.

Os efeitos da interdição permaneceriam até a Funai poder propor ao ministério do Interior a criação da reserva indígena “destinada ao ‘habitat’ definitivo dos Kreenakarore”. Durante esse período, a Fundação Nacional do Índio poderia requisitar o auxílio da Polícia Federal para que “sejam impedidos ou restringidos o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos, cujas atividades sejam julgadas nocivas ou inconvenientes ao processo de atração daquele grupo indígena”.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 10/03/1973

Waimir-atroari atacam e matam

Em janeiro de 1973, os índios waimiri-atroari atacaram o posto de atração no rio Alalaú, no Estado do Amazonas, matando três dos quatro funcionários da Funai que se encontravam na base e tocando fogo nas casas. O único sobrevivente conseguiu escapar se escondendo, atirando foguetes para assustar os índios e nadando pelo rio.

O ataque, feito de surpresa, teria sido motivado por um atrito dos índios com um transportador de mercadorias contratado por um dos empreiteiros que trabalhava na construção da BR-174, a estrada ligando Manaus à Venezuela, através de Boa Vista, em Roraima.

Os waimiri-atroari mantiveram, ao longo de muitos anos, relações difíceis com as frentes de penetração em seu território, culminando com o massacre, em 1968, de uma expedição de pacificação comandada pelo missionário católico italiano Calleri. Todos os integrantes da expedição foram mortos.

A abertura da estrada pela área indígena fez a Funai intensificar a frente de atração dos índios, comandada pelo sertanista Gilberto Pinto Figueiredo Costa.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 01/02/1973

Conflito na área do reservatório

Com a formação do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, em 1984,muitas árvores ficaram submersas, causando a formação de gases em virtude de seu apodrecimento. Uma das consequências desse fenômeno foi o aparecimento de moscas hematófagas, que passaram a atacar a população das margens do lago artificial. Cada morador podia chegar a sofrer 500 picadas por hora dessas moscas, segundo pesquisa feita na área pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém.

Em 1991, o governo federal decretou estado de emergência nas glebas Parakanã, Pucuruí e Tucuruí, para onde foram remanejados lavradores das áreas alagadas. Em setembro de 1992, o Incra criou o Projeto de Assentamento Rio Gelado, no qual 1.250 famílias se estabeleceram.

Mas logo se desencadeou um conflito entre os assentados e a madeireira Abrolho Verde. Com um projeto de manejo florestal aprovado pelo Ibama, a empresa penetrou nas glebas dos agricultores para extrair madeira, principalmente mogno. Vários atritos ocorreram entre as partes a partir de então.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 17/03/1995

Colonos japoneses no AM

Em 1957, o governo do Amazonas e a Jamig, uma entidade japonesa que cuidava da imigração e da colonização, iniciaram o assentamento de 45 famílias de imigrantes japoneses na colônia Efigênio Sales, a 45 quilômetros de Manaus, no município de Itacoatiara. A principal cultura explorada na área era a pimenta do reino. Durante o inverno produziam também hortaliças e verduras.

(Fonte: arquivo pessoal, 1957)

Colonização em Rondônia

O deputado federal Jerônimo Santana, do MDB de Rondônia, enviou carta ao presidente da república, em fevereiro de 1972, denunciando o abandono e os maus tratos do Incra aos colonos do projeto de assentamento Siney Girão, em Ribeirão, no Estado. Para o parlamentar, essa teria sidoa causa da morte de 30 das 100 famílias que foram transferidas para o local a partir de Mato Grosso e Paraná.

O principal problema dos colonos foi a malária, que provocou muitas mortes. Havia apenas um enfermeiro para atender toda a população. Restavam no projeto na ocasião 400 pessoas, de 70 famílias de colonos. Outro problema eram os altos preços cobrados pela cantina do Incra por comida e ferramentas de trabalho, contrariando as promessas feitas.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 27/02/1972