Zoneamento ecológico-econômico

Em 1992, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentou os primeiros mapas demográficos e econômicos da Amazônia, que serviriam para compor o diagnóstico ambiental da região, primeira etapa do seu zoneamento ecológico-econômico, coordenado pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos.

Os pesquisadores, utilizando dados dos censos, constataram um acentuado incremento na população dos centros urbanos da Amazônia durante a década anterior. Essa urbanização seria resultante do poder de atração dos garimpos e da expulsão dos habitantes rurais de suas antigas áreas de colonização, ocupadas por um número mais concentrado de proprietários.

O crescimento desordenado das periferias das cidades estava criando sérios problemas devido à inexistência de infraestrutura de saneamento e pelo alastramento de doenças como a malária, que em 10 anos havia aumentado 841% em Mato Grosso, e a leishmaniose (que se manifesta através de feridas na pele do doente), que crescera 7.519% na área do Maranhão que faz parte da Amazônia Legal.

No aspecto demográfico, a pesquisa do IBGE destaca dados como a evolução populacional de 63,4% de Manaus entre 1980 e 1991. Nesse mesmo período, Parauapebas e Paragominas, ambas no Pará, crescera, 518% e 153%, respectivamente, por causa do poder de atração de Carajás, a grande província mineral no sul do Estado.

Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 14/05/1992