Disputa pelo Sivam

O vice-presidente da empresa norte-americana Raytheon, James Carter, admitiu, ao depor na Câmara dos Deputados, em Brasília, no final de abril de 1995, que a concorrência para a escolha da empresa encarregada de executar o projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), que acabou sendo a própria Raytheon, pode ter tido conexão com uma concorrência realizada simultaneamente nos Estados Unidos, o Joint Primary Aircraft Training System (Jpats).

Através desse projeto, a Embraer, privatizada pouco tempo antes, podia fornecer 712 aviões Tucano de treinamento, o mais vendido aparelho do seu gênero em todo o mundo. A compra americana seria no valor de 4 bilhões de dólares.

O dirigente da Raytheon admitiu, em seu depoimento, que a empresa francesa Thomson, concorrente da Raytheon na disputa pelo Sivam, podia fornecer um sistema de radar, o OTH (Over the Horizon Radar), que era US$ 600 milhões mais barato, conforme informação fornecida aos parlamentares pelo executivo da Thomson, Daniel Hener.

Mas explicou que o OTH só permitia rastrear o tráfego aéreo comum, enquanto o objetivo do Sivam era também fiscalizar voos clandestinos, para o qual o sistema francês não era indicado. O Sivam tinha um custo equivalente a US$ 1,4 bilhão.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/04/1995