Proteção ao manganês

Em 1975, setores do Ministério das Minas e Energia chegaram a cogitar a criação de uma “reserva estratégica” de manganês em Serra do Navio, no Amapá, onde se localizava a maior jazida do minério. Essa era considerada uma das soluções possíveis para evitar o esgotamento das reservas, causado pelas exportações excessivas, caso uma nova mina não fosse descoberta. Duas estavam em perspectiva: a do igarapé Azul, na Serra dos Carajás, no sul do Pará, que na ocasião estava em processo de delimitação, e as ocorrências registradas no Morro dos Seis Lagos, na região de Uaupés, no Amazonas, em um conjunto de chaminés vulcânicas.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 30/04/1975

CVRD e japoneses no alumínio

No dia 17 de setembro de 1974, em Brasília, a Companhia Vale do Rio Doce e o consórcio japonês LMSA (Light Metal Smelters Association), assinaram um acordo comercial para investir 2,5 bilhões de dólares numa fábrica de alumínio no Pará. O acordo foi avalizado pelo presidente do Brasil, general Ernesto Geisel, e pelo primeiro-ministro do Japão. Kakuei Tanaka, que fez uma visita ao Brasil com essa finalidade.

De todo o investimento previsto, US$ 1,1 bilhão seriam aplicados diretamente na unidade industrial; US$ 500 milhões iriam para outra fábrica, de alumina, insumo para a produção do metal; e US$ 700 milhões seriam aplicados na hidrelétrica de Tucuruí, da qual a fábrica de alumínio absorveria 1,2 milhão de quilowatts quando alcançasse sua plena capacidade de produção. Ela começaria com 80 mil toneladas, em 1979, quando necessitaria de apenas 120 mil kw.

Essa energia viria do sistema CHESF, no Nordeste, através de uma linha de transmissão que começaria na hidrelétrica de Boa Esperança, passando pelo Piauí e Maranhão antes de chegar ao Pará. Em 1981, esse suprimento já começaria a ser feito pela usina de Tucuruí, que então passaria a enviar parte do que produzisse para o Nordeste.

Pelo esquema de financiamento acertado, o BNDE entraria com US$ 1,3 bilhão, as empresas aplicariam US$ 510 milhões de capital própria (a CVRD com 51% e o consórcio LMSA com 49%), e o restante viria através de financiamento japonês.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 08/04/1975

Fim da garimpagem de cassiterita

No dia 31 de março de 1971, o governo federal extinguiu a garimpagem de cassiterita na Província Estanífera de Rondônia, a maior do país. A partir dessa data, apenas a lavra mecanizada poderia continuar na área. As empresas de mineração absorveram como empregados 1.478 pessoas que até então trabalhavam como garimpeiros. Outras 1.906 receberam passagem gratuita para retornar aos seus pontos de origem, numa operação de evacuação executada rapidamente.

Para justificar a medida, o governo alegou que a garimpagem representava a dilapidação do bem mineral, desperdiçando 50% do minério lavrado, enquanto na extração mecanizada o aproveitamento era de quase 100%. Além disso, era praticamente impossível ao DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) fiscalizar os garimpeiros, que, segundo cálculos não aceitos pelo governo, teriam chegado a somar 30 mil em Rondônia. Os problemas sociais também eram graves, com assassinatos, motins e depredações frequentes na região.

Com o fim da garimpagem, porém, a produção de cassiterita diminuiu: de 5.575 toneladas em 1970, ela ficou em 3.540 toneladas em 1971 e variou entre 4,5 mil e 5 mil toneladas entre 1972 e 1973. Só a Companhia Siderúrgica Nacional precisaria, em 1975, de 2.600 toneladas de estanho para chegar a produzir 400 mil toneladas de folhas de flandres, o principal produto da transformação industrial da cassiterita.

Provavelmente por causa da queda na produção do minério, o governo voltou a autorizar a garimpagem de cassiterita em Rondônia, em fevereiro de 1975. Negou, porém, que a atividade pudesse voltar à condição anterior, argumentando que as empresas ficariam responsáveis pela contratação de garimpeiros e estes, sim, voltariam a atuar manualmente na extração.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 16/02/1975

A reavaliação de Carajás

A jazida de minério de ferro de Carajás, no sul do Pará, foi localizada e identificada, em 1967, por uma equipe de prospecção geológica da United States Steel (através de sua subsidiária brasileira, a Companhia Meridional de Mineração). Essa área acabaria constituindo o Distrito Ferrífero de Carajás, abrangendo 160 mil hectares.

É um dos melhores e maiores depósitos de minério de ferro do mundo, com 18 bilhões de toneladas medidos, com teor de 66% a 67% de hematita pura, 2.2% de sílica e alumina e apenas 0,5% de fósforo. A área consiste basicamente em 60 platôs achatados e de esparsa vegetação, a cerca de 700 ou 800 metros acima do nível do mar, e 400 metros, em média, acima da planície amazônica, totalmente recoberta de mata.

Os dois principais agrupamentos de minérios foram definidos como Serra Norte e a Serra Sul, começando a mineração pela primeira, no alvo N4. Para a definição das jazidas foram cavados 3.400 metros de túneis e 37 mil metros de perfurações. Por falta de ligação física, todo o equipamento teve que ser transportado por via área de Marabá, a cidade mais próxima, no vale do rio Tocantins, a 150 quilômetros de distância.

Na pesquisa geológica foram gastos entre 12 milhões e 15 milhões de dólares. Pelo projeto inicial, a produção devia começar em 1978, com investimento de 770 milhões de dólares, para produção de 12 a 15 milhões de toneladas a partir do segundo ano de atividade. Com o atraso, o custo passou para US$ 1 bilhão.

Na reavaliação feita em 1975, o investimento pulou para US$ 2,3 bilhões, principalmente em função da inflação internacional. A principal parte do investimento seria absorvida por uma ferrovia de mais de 900 quilômetros de extensão, entre a mina e um porto no litoral do Maranhão, a 12 quilômetros da cidade de São Luís, em Itaqui. Parte do leito da ferrovia, atravessando terreno pantanoso, teria que ser assentado sobre uma camada de cascalho com até cinco metros de espessura.

A alternativa de transporte, por via fluvial até a costa do Pará, foi considerada antieconômica tanto pela empresa quanto pelo governo, que não se deixaram convencer pela pressão feita pelos paraenses para a adoção dessa alternativa.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 09/05/1975

Alcoa na bauxita

A Alcoa (Aluminium Co. of America) anunciou, em maio de 1975, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, que seus trabalhos de prospecção geológica na Amazônia brasileira haviam revelado a existência de um grande depósito de bauxita, o minério do alumínio. Mas ressaltou que ainda seria necessário realizar pesquisa adicional para fixar o padrão e o grau do depósito mineral. Também ainda faltavam os estudos de viabilidade econômica. De qualquer forma, a empresa só iria desenvolver o aproveitamento econômico com a participação de terceiros e a aprovação do governo brasileiro.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 14/05/1975

A mineração de bauxita do Trombetas

As nove empresas associadas na Mineração Rio do Norte, detentora da jazida de bauxita do Trombetas, no Pará, uma das maiores do mundo, assinaram, em agosto de 1975, um aditivo modificando o acordo societário original. A produção de minério, que seria de 3,35 milhões de toneladas anuais, foi elevada para 8 milhões de toneladas, dos quais 3,4 milhões ficariam com a Companhia Vale do Rio Doce, dona de 41% das ações. A canadense Alcan, outra das acionistas, receberia cota adicional de 1,2 milhão, além do que já lhe cabia.

A escala de produção podia ser aumentada até 10 milhões de toneladas anuais. Em futuras expansões, a decisão passaria a ser tomada pelos detentores de 51% do capital e não 75%, conforme a exigência anterior. Os preços de venda teriam que assegurar à empresa uma rentabilidade mínima de 13% sobre o capital investido. A implantação do projeto, a cargo da Construtora Andrade Gutierrez, vencedora da concorrência, seria iniciada em dezembro de 1975.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 05/08/1975

O começo de Tucuruí

Em entrevista concedida à imprensa, em agosto de 1975, em Belém, o ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki, anunciou que o projeto da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, começaria a ser implantado no mês seguinte. A primeira turbina entraria em operação entre 1981 e 1982. O investimento seria de 500 milhões de dólares, o que corresponderia a 10 vezes o custo da rodovia Transamazônica.

O ministro explicou que até então não se pensava em construir uma grande hidrelétrica na Amazônia porque o país não dispunha de recursos suficientes para assumir uma obra desse porte e, principalmente, pela inexistência de mercado consumidor que justificasse o investimento. A decisão por Tucuruí foi tomada porque o então presidente da república, o general Ernesto Gisel, “é um profundo conhecedor do problema energético e sabe o quanto custa caro o petróleo”. Mesmo saindo cara, a usina de Tucuruí “vai trazer dividendos para todos nós”.

O ministro imaginava que antes da hidrelétrica iniciar sua operação, uma pequena fábrica de alumina, às proximidades de Belém, já estaria em atividade, servindo de experiência para o treinamento de mão de obra qualificada para esses novos empreendimentos.

Eles incluíam uma mineração de bauxita no vale do rio Trombetas, no município paraense de Oriximiná, que começaria a exportar o minério em 1978, através de uma empresa (a Mineração Rio do Norte) controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, em sociedade com grandes empresas internacionais do setor, como a canadense Alcan, e uma fábrica de alumínio, também comandada pela CVRD, em associação com parceiros japoneses, que igualmente estavam sendo atraídos para participar da planta de alumina.

Quando da visita ao Brasil do primeiro-ministro do Japão, Kakuei Tanaka, em 1974, os dois países criaram um grupo de trabalho para estudar a implantação de uma fábrica de alumina no Pará, que opinou favoravelmente ao empreendimento. Antes que a hidrelétrica de Tucuruí estivesse em condições de fornecer energia a essa indústria, ela seria atendida pela energia transferida do Nordeste através de uma linha de transmissão que seria construída. Essa mesma linha levaria para o Nordeste a energia que Tucuruí iria produzir.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 30/08/1975