Cinta-larga matam sertanista

O interesse pela exploração de diamantes na área do subposto da Funai às margens do rio Roosevelt, em Rondônia, e o contrabando de armas feito por empresas instaladas na região podem ter contribuído para o assassinato do sertanista Possidônio Bastos, em abril de 1972.

Essas hipóteses surgiram durante as investigações, realizadas em Brasília, a respeito da morte do funcionário da Funai pelos índios cinta-larga, que assim se teriam vingado da invasão de suas terras, no Parque do Aripuanã. Foi essa a conclusão da própria Funai ao encerrar a investigação.

No curso das apurações surgiu um memorando do sertanista Francisco Meireles, chefe da 8ª Delegacia Regional da Funai, em Rondônia, autorizando Francisco Teles de Albuquerque a explorar provisoriamente um garimpo de diamantes na área do subposto do rio Roosevelt, “obedecendo aos critérios predeterminados pela nossa orientação junto aos indígenas locais”.

Uma outra informação, coletada por jornalistas que acompanharam o deputado Jerônimo Santana (MDB-RO) numa viagem à área, era de que muitas armas – como submetralhadoras e pistolas – foram importadas da Bolívia por empresas que atuavam às proximidades da área indígena, como a Itaporanga e a Serraria Atenas. As armas eram entregues a funcionários dessas empresas, provavelmente para serem usadas contra os índios.

Nesse ambiente, os cinta-larga se sentiram ameaçados e decidiram matar o sertanista como vingança. Apesar disso, o deputado Jerônimo Santana anunciou em Porto Velho a reabertura dos garimpos de cassiterita, conclamando os garimpeiros a abandonar seus antigos empregos nas minerações mecanizadas e voltar à exploração manual.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 04/01/1972