Corrida às terras do Pará

Em abril de 1975, o governador recém-empossado do Pará, Aloysio Chaves, suspendeu a venda de terras devolutas do Estado para a implantação de uma empresa estatal, a Coterco (Companhia de Terras e Colonização), que ficaria encarregada do setor fundiário, e a organização de um cadastro de todos os títulos expedidos e sua localização. A medida foi adotada em meio a uma “corrida” às terras paraenses.

Durante os meses anteriores, os jornais de Belém publicaram diariamente de três a quatro páginas de editais de compra e venda de terras devolutas. A Secretaria de Agricultura protocolou 8.860 pedidos de compra em 15 meses. Só em 1974, foram requeridos 1.985.000 hectares de terras devolutas, justamente nas áreas mais valorizadas.

O município mais procurado foi o de Conceição do Araguaia, onde foram requeridos 715 mil hectares, mas já haviam sido destinados 2.128.519 dos seus 2.875.200 hectares.

Essa avalanche provocou uma série de irregularidades. Usando prepostos, alguns grupos conseguiram se apossar de vastas áreas, burlando as restrições legais. Para ajudar essas transações, surgiram escritórios especializados em vender terras, contando com a “ajuda” de funcionários da Secretaria de Agricultura.

Fonte: Arquivo Pessoal, 16/04/1978