Pesquisador confirma uso do agente laranja

O antigo Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Norte (Ipean, depois Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) foi o único órgão oficial a admitir, em fevereiro de 1976, o uso do “agente laranja” no Pará. A aplicação ocorreu entre 1971 e o início de 1974, nas plantações experimentais de seringueiras da Pirelli e da Good-Year, próximas a Belém.

Quem comandou a experiência foi o agrônomo Vicente Moraes, que admitiu o uso no final de 1973. Em 1974, a aplicação do “agente laranja” foi suspensa e Moraes se transferiu para o Centro de Pesquisas da Seringueira, em Manaus, que passou a dirigir. Ele considerou excelentes os resultados da experiência.

O produto permitiu a queda e renovação da seringueira, reduzindo ao mínimo o uso de fungicidas. Ele desfolha sem matar a planta, atuando eficientemente no combate às doenças que afetam a árvore, atestou o pesquisador. Mas Moraes foi criticado por conduzir a experiência numa área habitada, pensando apenas nas plantas e esquecendo os efeitos negativos sobre as pessoas.

Fonte: Arquivo Pessoal, 02/1976