Primeiro Rima no Acre

Por causa da nova legislação e das medidas de proteção ecológica adotadas pelo governo depois da revelação da extensão das queimadas na Amazônia, no início de 1989 o Ibama indeferiu 30 pedidos de licença a fazendeiros e empresas agropecuárias, que desejavam desmatar 50 mil hectares de floresta no Acre.

O indeferimento se devia ao não atendimento das exigências que passaram a ser feitas a todos os desmatamentos acima de 300 hectares: apresentação ao instituto de um plano de exploração florestal, cópia do projeto técnico do empreendimento agrícola ou pecuário e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima).

O Ibama multou nessa época três empresas que transgrediram as normas legais: a Fazenda Três Marias, do ex-prefeito de Rio Branco, Adalberto Braga da Silva, em mil cruzados novos e mais o embargo do desmatamento que realizava; a empresa Céu Azul, em NCz$ 123 mil, por estar derrubando e exportando mogno no município de Feijó; e a Alcobrás, em NCz$ 178 mil, pela derrubada de castanheiras.

A principal queixa dos fazendeiros era quanto a exigência do Rima (Relatório de Impacto Ambiental), trabalho que consideravam complexo demais para os técnicos de Rio Branco, que precisariam de dois meses para executar a tarefa. O proprietário do grupo Alcobrás, José Alves, entregou ao Ibama, em abril de 1989, o primeiro Rima apresentado do Acre, elaborado por firmas especializadas de São Paulo.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 28/01/1989