A reavaliação de Carajás

A jazida de minério de ferro de Carajás, no sul do Pará, foi localizada e identificada, em 1967, por uma equipe de prospecção geológica da United States Steel (através de sua subsidiária brasileira, a Companhia Meridional de Mineração). Essa área acabaria constituindo o Distrito Ferrífero de Carajás, abrangendo 160 mil hectares.

É um dos melhores e maiores depósitos de minério de ferro do mundo, com 18 bilhões de toneladas medidos, com teor de 66% a 67% de hematita pura, 2.2% de sílica e alumina e apenas 0,5% de fósforo. A área consiste basicamente em 60 platôs achatados e de esparsa vegetação, a cerca de 700 ou 800 metros acima do nível do mar, e 400 metros, em média, acima da planície amazônica, totalmente recoberta de mata.

Os dois principais agrupamentos de minérios foram definidos como Serra Norte e a Serra Sul, começando a mineração pela primeira, no alvo N4. Para a definição das jazidas foram cavados 3.400 metros de túneis e 37 mil metros de perfurações. Por falta de ligação física, todo o equipamento teve que ser transportado por via área de Marabá, a cidade mais próxima, no vale do rio Tocantins, a 150 quilômetros de distância.

Na pesquisa geológica foram gastos entre 12 milhões e 15 milhões de dólares. Pelo projeto inicial, a produção devia começar em 1978, com investimento de 770 milhões de dólares, para produção de 12 a 15 milhões de toneladas a partir do segundo ano de atividade. Com o atraso, o custo passou para US$ 1 bilhão.

Na reavaliação feita em 1975, o investimento pulou para US$ 2,3 bilhões, principalmente em função da inflação internacional. A principal parte do investimento seria absorvida por uma ferrovia de mais de 900 quilômetros de extensão, entre a mina e um porto no litoral do Maranhão, a 12 quilômetros da cidade de São Luís, em Itaqui. Parte do leito da ferrovia, atravessando terreno pantanoso, teria que ser assentado sobre uma camada de cascalho com até cinco metros de espessura.

A alternativa de transporte, por via fluvial até a costa do Pará, foi considerada antieconômica tanto pela empresa quanto pelo governo, que não se deixaram convencer pela pressão feita pelos paraenses para a adoção dessa alternativa.

Fonte: Gazeta Mercantil (São Paulo/SP), 09/05/1975