Fim da garimpagem de cassiterita

No dia 31 de março de 1971, o governo federal extinguiu a garimpagem de cassiterita na Província Estanífera de Rondônia, a maior do país. A partir dessa data, apenas a lavra mecanizada poderia continuar na área. As empresas de mineração absorveram como empregados 1.478 pessoas que até então trabalhavam como garimpeiros. Outras 1.906 receberam passagem gratuita para retornar aos seus pontos de origem, numa operação de evacuação executada rapidamente.

Para justificar a medida, o governo alegou que a garimpagem representava a dilapidação do bem mineral, desperdiçando 50% do minério lavrado, enquanto na extração mecanizada o aproveitamento era de quase 100%. Além disso, era praticamente impossível ao DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) fiscalizar os garimpeiros, que, segundo cálculos não aceitos pelo governo, teriam chegado a somar 30 mil em Rondônia. Os problemas sociais também eram graves, com assassinatos, motins e depredações frequentes na região.

Com o fim da garimpagem, porém, a produção de cassiterita diminuiu: de 5.575 toneladas em 1970, ela ficou em 3.540 toneladas em 1971 e variou entre 4,5 mil e 5 mil toneladas entre 1972 e 1973. Só a Companhia Siderúrgica Nacional precisaria, em 1975, de 2.600 toneladas de estanho para chegar a produzir 400 mil toneladas de folhas de flandres, o principal produto da transformação industrial da cassiterita.

Provavelmente por causa da queda na produção do minério, o governo voltou a autorizar a garimpagem de cassiterita em Rondônia, em fevereiro de 1975. Negou, porém, que a atividade pudesse voltar à condição anterior, argumentando que as empresas ficariam responsáveis pela contratação de garimpeiros e estes, sim, voltariam a atuar manualmente na extração.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 16/02/1975