Tucuruí começa em 1975

Em entrevista concedida à imprensa, em agosto de 1975, em Belém, o ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki, anunciou que o projeto da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, começaria a ser implantado no mês seguinte. A primeira turbina entraria em operação entre 1981 e 1982. O investimento seria de 500 milhões de dólares, o que corresponderia a 10 vezes o custo da rodovia Transamazônica.

Explicou o ministro que até então não se pensava em construir uma grande hidrelétrica na Amazônia porque o país não dispunha de recursos suficientes para assumir uma obra desse porte e, principalmente, pela inexistência de mercado consumidor que justificasse o investimento. A decisão por Tucuruí foi tomada porque o então presidente da república, o general Ernesto Gisel, “é um profundo conhecedor do problema energético e sabe o quanto custa caro o petróleo”. Mesmo saindo cara, a usina de Tucuruí “vai trazer dividendos para todos nós”.

O ministro imaginava que antes da hidrelétrica iniciar sua operação, uma pequena fábrica de alumina, às proximidades de Belém, já estaria em atividade, servindo de experiência para o treinamento de mão de obra qualificada para esses novos empreendimentos. Eles incluíam uma mineração de bauxita no vale do rio Trombetas, no município paraense de Oriximiná, que começaria a exportar o minério em 1978, através de uma empresa (a Mineração Rio do Norte) controlada pela Companhia Vale do Rio Doce, em sociedade com grandes empresas internacionais do setor, como a canadense Alcan, e uma fábrica de alumínio, também comandada pela CVRD, em associação com parceiros japoneses, que igualmente estavam sendo atraídos para participar da planta de alumina.

Quando da visita ao Brasil do primeiro-ministro do Japão, Kakuei Tanaka, em 1974, os dois países criaram um grupo de trabalho para estudar a implantação de uma fábrica de alumina no Pará, que opinou favoravelmente ao empreendimento. Antes que a hidrelétrica de Tucuruí estivesse em condições de fornecer energia a essa indústria, ela seria atendida pela energia transferida do Nordeste através de uma linha de transmissão que seria construída. Essa mesma linha levaria para o Nordeste a energia que Tucuruí iria produzir.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 30/08/1975