Contrabando de cassiterita em Rondônia

Em março de 1995 o senador Ernandes Amorim, do PDT de Rondônia, acusou autoridades do governo federal, durante a administração José Sarney, de terem praticado “toda sorte de irregularidades”, inclusive a falsificação de documentos, para expulsar os garimpeiros da jazida de Bom Futuro, no município de Ariquemes, em Rondônia, para beneficiar grandes mineradores, principalmente a Paranapanema.

Amorim foi prefeito de Ariquemes. Foi também presidente da cooperativa dos garimpeiros. Denúncias encaminhadas pelo Ministério Público Federal ao Ministério da Justiça apontavam o futuro senador como contrabandista do minério, levado clandestinamente para a Bolívia e lá trocado por cocaína.

Em um ano, a produção boliviana de cassiterita teve aumento de quatro mil toneladas por causa do contrabando, segundo relatório do procurador da república José Ricardo Lira Soares.

Ministro da justiça na época, o advogado Saulo Ramos, criticado pelo senador Amorim, disse que encaminhou a questão por ter-se impressionado com o relato dos fatos. Além do desvio de minério, havia o soterramento de 16 garimpeiros e a devastação do meio ambiente. Uma comissão interministerial foi criada para apurar a situação, mas as medidas “foram negligenciadas pelo governo Collor”, explicou Ramos, numa nota em que respondeu aos ataques de Amorim.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 08/03/1995