Católicos nas Anavilhanas

Em outubro de 1989, vários órgãos da imprensa italiana comentaram a ligação do Pime (Pontifício Instituto Missionário Estrangeiro) e do Movimento Popoplare com outra organização católica, a Comunhão e Libertação, na especulação com terras e num negócio hoteleiro dentro da estação ecológica das Ilhas Anavilhanas, um majestoso arquipélago fluvial localizado a 100 quilômetros de Manaus, no Amazonas.

A iniciativa visaria “encobrir sob o manto da caridade e da religiosidade um empreendimento consumista e capitalista”, segundo editorial da revista Missione Oggi, dos missionários xaverianos. O empreendimento era de Fernando Degan, que havia trabalhado como gerente da indústria de óculos Ialo, em Manaus. Na volta à Itália, ele conseguiu o apoio de outros empresários italianos.

Sua ideia era construir um hotel a 10 quilômetros da estação ecológica, todo em madeira, com não mais do que 1.200 metros quadrados de área construída e outros mil metros quadrados de área adjacente desmatada, mantendo-se preservados oito milhões de metros quadrados. O hotel teria acomodações para 40 ou 60 hóspedes. Custaria 522 mil dólares.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 19/11/1989