A ecologia e a dívida exterma

Um seminário realizado em Brasília, em junho de 1989, revelou uma mudança na posição até então mantida pelo governo brasileiro em relação às propostas de conversão de dívida externa por ecologia, a que era contrária.

O relatório final do seminário, patrocinado pelo governo e que atraiu 300 participantes, negou a tese de que a conversão da dívida em investimento ecológico “implica em arranhões à soberania nacional” . Alertou ainda para o fato de que no Brasil esse processo “não deve necessariamente se pautar na sistemática aplicada em outros países”.

O documento disse também que “não foi notada nenhuma menção de internacionalização de áreas no Brasil, considerada unanimemente como hipótese inaceitável”. Roque Sevilla, da Fundação Natura do Equador, calculou que o Brasil teria condições de receber, a curto prazo, 300 milhões de dólares em financiamentos externos.

O Ibama, promotor do evento, necessitaria, no mínimo, de US$ 360 milhões para atender as questões mais imediatas. O orçamento do instituto para 1990 era de 230 milhões de cruzados novos (valor da época).

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 25/06/1989