A extração de madeira em Tucuruí

Em janeiro de 1980, o IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal) lançou a licitação pública para a extração de cinco milhões de metros cúbicos de madeira de primeira qualidade existentes na área a ser inundada pela barragem da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

Essa seria a primeira exploração madeireira em área de reservatório. Mas com as obras seguintes das hidrelétricas de Samuel, Balbina, Xingu, Altamira, Belo Monte e Tapajós, haveria um total de 1,5 milhão de hectares disponíveis e 90 milhões de metros cúbicos de madeira.

A exploração dessas áreas possibilitaria ao Brasil dominar o mercado internacional de madeira durante 20 anos, aproveitando-se a desorganização na produção de países tradicional exportadores, como os do sudoeste asiático e africano, notadamente por motivos políticos.

A exportação de madeira sólida do reservatório de Tucuruí permitiria uma receita de um bilhão de dólares em três anos e mais US$ 1 bilhão com a produção de carvão vegetal a partir dos resíduos de madeira que não puderem ser aproveitados industrialmente.

O IBDF destacava a intenção do governo de não permitir a exportação do produto “in natura”, mas apenas processado industrialmente, na forma de laminados, compensados ou apenas serrados.

FONTE: O Estado do Pará (Belém/PA), 10/01/1980