A lista dos marcados para morrer

Em junho de 1987, o bispo de Bragança, no Pará, dom Miguel Giambelli, denunciou, em carta enviada ao governador do Estado, Hélio Gueiros, ameaças de morte feitas ao vigário do município de Irituia, padre Luiz Carrá, e ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Antônio Lopes.

Segundo o bispo, no dia 17 de junho, 10 pessoas – dentre as quais os presidentes dos diretórios municipais do PMDB e PFL, alguns dos quais com mandato eletivo – se reuniram no quilômetro 48 da rodovia Belém-Brasília, em Vila Mãe do Rio, e decidiram eliminar o padre e o dirigente sindical.

Um dos participantes, porém, entregou uma carta assinada e datada dirigida ao bispo, com os nomes de todos os 10 integrantes da reunião, para uso apenas se o crime fosse executado. O padre, um italiano, na época com 48 anos de idade, havia chegado ao Brasil em 1978, trabalhando no município de Paragominas e no Seminário de Bragança. Em 1986 assumiu o vicariato de Irituia.

Na sua carta ao governador, o bispo lembrou o “bárbaro homicídio do então prefeito José Leônidas”, dois anos antes, e o “macabro assassinato do Dr. Paulo Fonteles”, três meses antes.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 26/06/1987