Rockefeller e a Amazônia

Na sua campanha para a presidência dos Estados Unidos, em 1968, o governador de Nova York, Nelson Rockefeller disse que, se eleito, apoiaria um programa que incluía a construção de um gigantesco mar interior na América Latina, um canal interoceânico e uma via fluvial ligando o Caribe à Bacia do Prata.

O primeiro e mais dramático desses projetos era o barramento do rio Amazonas para a criação de um lago artificial duas vezes maior do que a Alemanha. O segundo em importância era a interconexão dos rios Orenoco, Amazonas, Paraguai e Prata, permitindo a navegação de alto bordo pelo interior da Venezuela, Colômbia, Brasil, Paraguai e Argentina. O terceiro era um projeto colombiano destinado a reter 400 polegadas de chuva, que caem anualmente na região, criando um lago artificial.

Rockefeller estava endossando  projetos que vinham sendo desenvolvidos pelo Hudson Institute, de Nova York, uma corporação que executava estudos estratégicos sob contrato para o Departamento de Defesa americano.

Segundo o Hudson, o canal interior sul-americano poderia ser desencadeado a partir de um pequeno lago na região colombo-venezuelana  de Pimichin, unindo o Orenoco ao rio Negro, um dos maiores tributários do Amazonas. Da mesma forma, o rio Guaporé poderia ser ligado ao sul, por uma serie de lagos, ao rio Paraguai, chegando até o Atlântico, através do Paraná e do Prata.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 23/07/1968