Recorde de trabalho escravo

Em seu relatório anual, a Comissão Pastoral da Terra apontou 38 assassinatos em conflitos de terra no Brasil em 1992. Desse total, sete mortes foram cometidas no Pará e sete no Maranhão, na região conhecida como Bico do Papagaio, abrangendo o sul do Pará, o sudoeste do Maranhão e o norte de Tocantins, “a mais explosiva do país em termos agrários”, segundo a CPT. A comissão também constatou um número recorde de casos de trabalho escravo no país: foram 13.976 em 1992, com maior concentração nas carvoarias de Mato Grosso do Sul.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/01/1993

Japão interessado no mercúrio

O uso de mercúrio na Amazônia foi proibido pelo governo federal em 1989, por representar um grande perigo para todas as formas de vida, mas o produto continuou a ser empregado nos garimpos da região. Em 1993 a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) anunciou, em Manaus, os primeiros resultados de uma pesquisa que constatara a presença de mercúrio em teores acima dos normais em peixes do Madeira, rio que corta os Estados do Amazonas e Rondônia.

O problema interessou o Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais do Japão, que assinou um convênio com o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) para estudar a presença do mercúrio na região.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 03/01/1993

Garimpo contamina índios

Uma pesquisa realizada por Antônio Carneiro Barbosa, professor do Departamento de Química da Universidade de Brasília, mostrou que a maioria dos índios kayapó, do sul do Pará, havia sido contaminada pelo mercúrio usado nos garimpos da região. O pesquisador apresentou os resultados da pesquisa durante o 32º Congresso Brasileiro de Química, realizado em Belém, em outubro de 1992.

Barbosa analisou 126 amostras de sangue, 178 de urina e 203 de cabelos dos índios, que habitavam principalmente as aldeias Gorotire e Kikretum, às margens do rio Freco. A contaminação era feita principalmente através dos peixes desse rio, base da alimentação das tribos, que absorviam o mercúrio nas águas, transformando-o em metilmercúrio.

O percentual de contaminação por mercúrio no sangue atingiu níveis acima do limite crítico estabelecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 50,5% dos índios da aldeia Gorotire e em 85.7% dos kayapó da aldeia Kikretum. Nos garimpeiros, esse percentual foi de 33,3%. Na urina, os percentuais foram de 35,7%, 9,3% e 37,6%, respectivamente.

A contaminação encontrada no cabelo foi de 30,5% na aldeia Gorotire, 51,1% na aldeia Kikretum e de 0,8% entre os garimpeiros. O pesquisador também constatou elevados índices de contaminação entre os moradores das margens do rio Madeira, onde fez outro levantamento sobre o uso do mercúrio por garimpos.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 29/10/1992

Cemitério clandestino em fazenda

Seguindo denúncia feita pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura, uma diligência policial constatou a prática de trabalho escravo na fazenda Nova Délhi, no município de Vila Rondon, no Pará, de propriedade de Josélio Carneiro Barros. Sete peões que foram ouvidos declararam que em quatro anos de trabalho jamais receberam um pagamento.

Tinham direito apenas a alimentação. Jamais tiveram acesso a uma prestação de contas sobre quanto deveriam ganhar e quanto deviam. Numa fazenda vizinha, a Techaugau, do mesmo proprietário, a polícia localizou um cemitério clandestino, ossadas e sinais de incineração de corpos cobertos por pneus e plástico preto.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 20/06/1995

Militares na fronteira

As forças armadas brasileiras realizaram, em outubro de 1993, a “Operação Surumu”, um treinamento nas selvas dos Estados do Amazonas e Roraima, que mobilizou mais de cinco mil homens, simulando um ataque ao país através das fronteiras amazônicas e a expulsão dos invasores. O treinamento foi acompanhado por adidos militares de países sul-americanos e pelo brigadeiro Joseph Singh, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiana. Seis meses antes os Estados Unidos haviam realizado exercício semelhante na Guiana, antiga colônia inglesa.

Fonte: O Globo (Rio de Janeiro/RJ), 07/10/1993

Sivam no Amazonas

Em março de 1995, o juiz Carlos Zamith Júnior, da justiça do Estado do Amazonas, mandou embargar a construção de uma vila que serviria de alojamento para técnicos do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) no município de São Gabriel da Cachoeira.

Dois promotores, Mauro Veras e Paulo Stélio, pediram o embargo, alegando que a vila iria descaracterizar o centro histórico da cidade, onde estão as ruínas de um forte centenário. A área, que não estava tombada pelo Patrimônio Histórico, fora cedida pela prefeitura.

Fonte: Folha de S. Paulo (São Paulo/SP), 30/03/1995

Problema em Tucuruí

A hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, no Pará, apresentou seu primeiro problema operacional em agosto de 1995, 12 anos depois de entrar em funcionamento comercial. Até então, os defeitos haviam aparecido nas linhas de transmissão e subestações. A primeira falha na própria usina ocorreu no serviço auxiliar de seis das 12 máquinas da hidrelétrica, cada uma capaz de gerar 330 megawatts de energia. Logo, todas as turbinas tiveram que ser desligadas, até ser restabelecido o sistema auxiliar.

O acidente provocou a suspensão, durante uma hora e 13 minutos, no início da manhã, no fornecimento de energia a dois milhões de pessoas nos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. Era o quatro blecaute em 1995 na área abastecida pela usina.

Fonte: A Província do Pará (Belém/PA), 09/08/1995