O projeto do grande lago

Os estudos do Hudson Institute, de Nova York, sobre a formação de grandes lagos interiores na América do Sul foram submetidos à apreciação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 6 de novembro de 1964, após seis meses de trabalho, sob o comando de Robert Panero.

Em fevereiro de 1967, o documento foi apresentado pela primeira vez a uma autoridade brasileira, o economista Roberto Campos, que então chefiava o Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica.

A proposta do Hudson era formar cinco lagos artificiais, que ligariam as grandes bacias do continente sul-americano, estabelecendo uma ligação Norte-Sul por dentro, sem depender do mar. A ligação mais ao norte seria entre os rios Orenoco, na Venezuela, e Negro, no Brasil, com o que seria possível navegar de Manaus até Caracas. Também seriam feitas barragens nos rios Caquetá, na Colômbia, e Ucaiali, no Peru.r

Na altura de Óbidos, no Pará, uma outra barragem conteria a corrente do rio Amazonas, inundando uma área que iria além do oeste de Manaus, com extensão de mil quilômetros, atingindo as bacias do Negro, Madeira e Caquetá.

Mais ao sul, um novo lago seria formado entre as nascentes dos rios Guaporé e Paraguai, completando assim a ligação Norte/Sul do continente, entre a foz do Orenoco, na Venezuela, e a foz do Paraná/Paraguai, entre Argentina e Uruguai.

O investimento total nesse sistema era calculado pelo Hudson, na época, entre um mínimo de 215 milhões de dólares e o máximo de US$ 430 milhões.

Fonte: Última Hora (Rio de Janeiro/RJ), 18/01/1968