Tensão em Tomé-Açu

Em 1968, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Federal que investigava a venda de terras a estrangeiros esteve em Tomé-Açu, a 130 quilômetros de Belém, no Pará. Foi verificar denúncias de segregação racial entre colonos japoneses e brasileiros.

Os agricultores nacionais seriam discriminados não só na atividade produtiva como na própria vida social do lugar em favor de migrantes japoneses, trazidos para a região num projeto comum entre os governos dos dois países.

Os primeiros casamentos mistos estavam ocorrendo pela primeira vez exatamente no momento da viagem da CPI, 30 anos depois do início da colonização japonesa. Os japoneses mais antigos impediam que esse tipo de casamento ocorresse, segundo as denúncias.

Foi apontado outro problema: a transferência de pelo menos 10 órfãos de guerra, filhos de pais americanos pretos e de mães japonesas. Por serem segregados em seu próprio país, a solução encontrada por uma sociedade protetora de órfãos, dirigida por Miki Sawada, fora a migração para a Amazônia.

Tomé-Açu se transformou num dos maiores produtores mundiais de pimenta-do-reino com a chegada dos japoneses. Em 1967, a produção tinha sido de oito mil toneladas, 90% dela exportada para México, Argentina, Estados Unidos e União Soviética. Os parlamentares da CPI chegaram à

à conclusão de que havia uma tensão entre brasileiros e japoneses, mas não propriamente segregação.

Fonte: O Estado de S. Paulo (São Paulo/SP), 05/05/1968