Terras com estrangeiros

Em sua edição de 22 de dezembro de 1967, a revista Time informou que nos últimos anos investidores estrangeiros haviam comprado mais terras no Brasil do que a soma de cinco Estados americanos (Delaware, Connecticut. Rhode Island, Massachussets e New Hampshire).

Dizia que alguns desses compradores de grandes áreas não passavam de especuladores, que adquiriam  terra de sete centavos o acre e as revendendiam por dois dólares. Mas que havia também verdadeiros investidores, como Henry Fuller, da cidade de Houston, “que possui meio milhão de acres cultivados e que pretende construir nas suas terras uma escola, uma igreja e uma cooperativa”.

A revista dizia que a disponibilidade de vastas extensões de terra na fronteira brasileira, sobretudo com a conclusão da rodovia Belém-Brasília, em 1966, estava atraindo especuladores da Alemanha, Japão, Estados Unidos e outros países, atraídos pela riqueza de alguns solos, como os de Goiás e da Bahia.

Mas que os proprietários se assustaram com a oposição a essas aquisições, criando pressão junto ao governo para suspendê-las, como ameaça à soberania nacional. O senador Marcelo Alencar, do MDB, assegurando que um terço do Brasil já estavam nas mãos de estrangeiros, propôs uma emenda constitucional para desencorajar futuros compradores.

Uma comissão federal de investigação havia recomendado a exigência de legitimação das vendas já efetuadas aos estrangeiros. Mas o governo brasileiro não parecia disposto a endossar essas mudanças.

Fonte: Folha do Norte (Belém/PA), 11/01/1968