Colonização pelas estradas

Em 27 de outubro de 1971, o presidente Emílio Garrastazu Médici aprovou o Programa de Integração nacional (PIN) para a Amazônia. Depois de mais de um ano de sua criação, o programa foi submetido a avaliação pelo Ministério do Planejamento.

O ministro João Paulo dos Reis Veloso apresentou o relatório de avaliação ao presidente Médici em janeiro de 1973. Registrava que as estradas pioneiras, a Transamazônica e a Santarém-Cuiabá, já estavam em operação.

A primeira, num trecho de 1.254 quilômetros, entre Altamira e Itaituba, inaugurado pelo próprio Médici, que correspondia a um terço do total do traçado da rodovia dentro da Amazônia. Quanto à segunda, dois trechos de 240 quilômetros haviam sido abertos a partir das duas frentes, nas quais atuavam o 8º e o 8º Batalhões de Engenharia de Construção do Exército.

Faltava iniciar a Perimetral Norte, que iria de Macapá, no litoral Atlântico, até Benjamin Constant, no Estado do Amazonas, na fronteira do Brasil com o Peru.

Destacava ainda o relatório que as 286 folhas com imagens em foto-mosaicos semi-contratados, produzidas pelo Projeto Radam, abrangendo uma área de 4,6 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia, já estavam disponíveis para uso. Representavam “um dos maiores esforços jamais realizados em todo o mundo para levantar recursos naturais de forma cientificamente controlada, e analisar fatores ambientais”.

A prioridade dada pelo PIN à pesquisa mineral também já havia permitido à CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) descobrir molibdênio em Roraima; caulim, zinco, prata e chumbo no Pará; e diamante industrial em Goiás. Já a Petrobrás chegara a importantes depósitos de sal-gema no Pará.

-Com isso, surgira um quadro de riquezas minerais expressivo: cassiterita em Rondônia; minério de ferro em Carajás, no Pará; bauxita nas regiões de Oriximiná e Paragominas, também no Pará; manganês no Amapá e salgema no Baixo Tapajós, no Pará.

O Ministério do Interior, por sua vez, trabalhava em sete núcleos urbanos considerados prioritários: Santarém, Altamira, Marabá e Itaituba, no Pará, Humaitá, no Amazonas, Imperatriz, no Maranhão, e Picos, no Piauí.

Fonte: Jornal do Brasil (Rio de Janeiro/RJ), 06/01/1973