Garimpo contamina índios

Uma pesquisa realizada por Antônio Carneiro Barbosa, professor do Departamento de Química da Universidade de Brasília, mostrou que a maioria dos índios kayapó, do sul do Pará, havia sido contaminada pelo mercúrio usado nos garimpos da região. O pesquisador apresentou os resultados da pesquisa durante o 32º Congresso Brasileiro de Química, realizado em Belém, em outubro de 1992.

Barbosa analisou 126 amostras de sangue, 178 de urina e 203 de cabelos dos índios, que habitavam principalmente as aldeias Gorotire e Kikretum, às margens do rio Freco. A contaminação era feita principalmente através dos peixes desse rio, base da alimentação das tribos, que absorviam o mercúrio nas águas, transformando-o em metilmercúrio.

O percentual de contaminação por mercúrio no sangue atingiu níveis acima do limite crítico estabelecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 50,5% dos índios da aldeia Gorotire e em 85.7% dos kayapó da aldeia Kikretum. Nos garimpeiros, esse percentual foi de 33,3%. Na urina, os percentuais foram de 35,7%, 9,3% e 37,6%, respectivamente.

A contaminação encontrada no cabelo foi de 30,5% na aldeia Gorotire, 51,1% na aldeia Kikretum e de 0,8% entre os garimpeiros. O pesquisador também constatou elevados índices de contaminação entre os moradores das margens do rio Madeira, onde fez outro levantamento sobre o uso do mercúrio por garimpos.

Fonte: O Liberal (Belém/PA), 29/10/1992