O escândalo da Capemi

O juiz da 13ª vara de falências e concordatas do Rio de Janeiro, Luís de Sousa Gouvêa, excluiu de sua sentença, dada em fevereiro de 1986, 13 das 16 pessoas denunciadas pelo curador Hélio Gama como envolvidas em irregularidades no projeto para a extração de madeira da área do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. O empreendimento foi entregue pelo governo à Agropecuária Capemi.

Dentre os excluídos pelo juiz estavam dois generais, um coronel, um irmão e um primo-irmão do chefe da agência central do SNI (Serviço Nacional de Informações), Newton Cruz; dois genros de um deles, o irmão do então prefeito do Rio de Janeiro, o filho caçula do presidente João Figueiredo, Paulo Figueiredo, e um sócio dele.

Foram denunciados apenas o ex-superintendente da Agropecuária Capemi, Fernando José Pessoa dos Santos; o diretor da Capemi Distribuidora de Valores, Luiz Cacciatore Arroba Martins; e o ex-coordenador geral do projeto de Tucuruí pelo Ministério da Agricultura, Roberto Amaral.

Fonte : O Estado de S. Paulo (SP), 13 de março de 1984

O crime do Lago Batata

A ameaça de destruição do Lago Batata, no município de Oriximiná, no Pará, preocupava os ecologistas em 1986. O problema resultava do despejo de argila não aproveitável na extração do minério de bauxita pela Mineração Rio do Norte. A deposição começou a ser feita em 1979 no igarapé Caranã, que teve seus cinco quilômetros quadrados completamente destruídos. Esgotado o igarapé, a mineradora passou a jogar a “lama vermelha” no Lago Batata.

Em 1986, a empresa garantia que a área afetada representava apenas 1,5% da extensão do lago, mas os ecologistas calculavam um dano muito maior. A profundidade do lago, originalmente de três metros, foi reduzida então para 30 centímetros, dificultando a circulação de barcos. Contendo materiais argilosos muito finos, a lama se mantinha em suspensão na água. Sua deposição diminuía o teor de oxigênio no lago e impedia a penetração da luz do sol, prejudicando a vegetação e a fauna aquática.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 12 de julho de 1986

Ataque de garimpeiros

Em março de 1984, garimpeiros invadiram as instalações da mineradora Ouronorte, no igarapé do Cuca, em Tucumã, município de São Félix do Xingu, no Pará. Mataram dois seguranças da empresa com mais de 100 tiros. A firma detinha direitos de lavra sobre 22 mil hectares, para ouro. A notícia da descoberta do metal atraiu levas de garimpeiros. A Ouronorte alegou que a invasão foi planejada por aventureiros, que se faziam passar por garimpeiros.
Fonte : Diário do Pará (Belém), 6 de maio de 1984

Os generais e a Amazônia

O jornal New York Times defendeu, em editorial publicado em fevereiro de 1989, a utilização de parte da dívida externa brasileira, calculada então em 115 bilhões de dólares, para impedir a continuação da destruição da floresta amazônica. Observou o periódico novaiorquino que o ministro do exterior, o ex-governador de São Paulo Abreu Sodré, aprovou a iniciativa, mas ela foi vetada pelo presidente José Sarney. O presidente estava empenhado em não permitir que a Amazônia se transformasse num “Golfo Pérsico verde”. Esses temores, segundo o jornal, “carecem de fundamento e foram elaborados pelos generais”.

Fonte : O Liberal (Belém), 4 de fevereiro de 1989

Vale: plano de meio ambiente

A Companhia Vale do Rio Doce aprovou, em 1990, um novo plano diretor de meio ambiente. Ele previa a aplicação de 20 milhões de dólares até 1993 nas suas áreas de atuação. Um dos projetos contemplados, o reflorestamento da Serra de Carajás, previa a aplicação de 900 mil dólares no plantio de espécies nativas para proteger o solo contra a erosão ao longo da ferrovia de Carajás à Ponta da Madeira, no Maranhão. Outro projeto, de US$ 400 mil, era para implementar a “faixa verde” no terminal portuário, em São Luís.

Fonte : Gazeta Mercantil (SP), 4 de janeiro de 1990