O crime do Lago Batata

A ameaça de destruição do Lago Batata, no município de Oriximiná, no Pará, preocupava os ecologistas em 1986. O problema resultava do despejo de argila não aproveitável na extração do minério de bauxita pela Mineração Rio do Norte. A deposição começou a ser feita em 1979 no igarapé Caranã, que teve seus cinco quilômetros quadrados completamente destruídos. Esgotado o igarapé, a mineradora passou a jogar a “lama vermelha” no Lago Batata.

Em 1986, a empresa garantia que a área afetada representava apenas 1,5% da extensão do lago, mas os ecologistas calculavam um dano muito maior. A profundidade do lago, originalmente de três metros, foi reduzida então para 30 centímetros, dificultando a circulação de barcos. Contendo materiais argilosos muito finos, a lama se mantinha em suspensão na água. Sua deposição diminuía o teor de oxigênio no lago e impedia a penetração da luz do sol, prejudicando a vegetação e a fauna aquática.

Fonte : A Província do Pará (Belém), 12 de julho de 1986