As cooperativas e a colonização

Em junho de 1975, o Incra anunciou a execução de um programa para a instalação de oito cooperativas na Amazônia. Em quatro anos, elas iriam triplicar a produção agrícola da região. Todas seriam cooperativas originárias do sul do país, com boa capacidade técnica, mas enfrentando um grande problema: a falta de terras em regiões minifundiárias.

A primeira dessas cooperativas, do município gaúcho de Tenente Portela, se instalou em 1974, em Barra do Garças, Mato Grosso, com 80 associados, conseguindo bons resultados. A segunda seria a Cooperativa Tritícola de Ijuí, da região serrana do Rio Grande do Sul, que pretendia ocupar 400 mil hectares no vale do rio Iriri, na Transamazônica, no Pará, com dois mil associados. Eles desenvolveriam plantios comerciais, como a soja tropical e o café. Outra cooperativa visada era a Central dos Produtores do Oeste Paranaense, que era então a maior produtora de soja do país.

Arquivo Pessoal, 01-11-1990

Calor e vegetação

O aumento da temperatura da Terra, provocado pela massiva emissão de gases na atmosfera, fenômeno conhecido como efeito estufa, acelerará a decomposição de material orgânico, aumentando o volume de nutrientes no solo. Mas como a decomposição será mais rápida do que o crescimento, haverá possivelmente uma redistribuição da vegetação, conforme hipótese apresentada pelo cientista William Schlesinger, do Departamento de Botânica e Geologia da Duke University, dos Estados Unidos, durante a II Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas, realizada em Genebra, no final de 1990.

O Globo (RJ), 01-11-1990

Os matadores de Chico Mendes

Em fevereiro de 1992. a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre anulou, por dois votos contra um, o julgamento do Tribunal do Júri de Xapuri, que condenou o fazendeiro Darli Alves da Silva a 19 anos de prisão por ter sido o mandante da morte do ecologista e líder seringueiro Chico Mendes. Dois desembargadores consideraram que os jurados de Xapuri tomaram uma decisão “manifestamente contrária à prova dos autos”, o único argumento que permite anular uma decisão do Tribunal do Júri e fazer realizar nova sessão. Os três desembargadores da câmara decidiram manter a pena de 19 anos de cadeia para Darci Alves da Silva, filho de Darli, que confessou ter atirado em Chico Mendes e que já cumpria mais 12 anos de prisão por outro assassinato.

Jornal do Brasil (RJ), 29-02-1992

Dinheiro pelas florestas

Em fevereiro de 1989, o Senado dos Estados Unidos manifestou a intenção de pressionar o Fundo Monetário Internacional para que a instituição seguisse o exemplo do Banco Mundial e passasse também a vincular o desembolso de seus empréstimos à preservação das florestas. Para conseguir esse objetivo, o único capaz de preservar as florestas, os parlamentares sugeriam o uso de um eficiente instrumento de pressão: o capital americano.

Os senadores democratas John Kerry e Terry Stanford e os republicanos Richard Lugar e Budy Boschwitz pediram ao secretário do Tesouro, Nicholas Brady, para não apoiar a proposta de duplicação do capital do FMI, a menos que a diretoria do organismo criasse rigorosas regras para a proteção do meio ambiente. Os EUA são responsáveis por 20% do dinheiro do FMI. As preocupações dos parlamentares foram motivadas pelos desmatamentos no Brasil e nas Filipinas, principalmente.

O Globo (RJ), 23-02-1989

Sting e os índios

Na visita que fez ao Brasil, em fevereiro de 1989, o cantor inglês de rock Sting anunciou a criação da Fundação Mata Virgem para liderar uma campanha internacional para a criação de um grande parque nacional, reunindo as reservas indígenas Gorotire e Gurupi e o Parque Nacional do Xingu, entre o Pará e o Mato Grosso, com área de 270 mil quilômetros quadrados. A ideia foi comunicada ao presidente José Sarney, com quem Sting conversou, em Brasília, durante duas horas.
A Província do Pará (Belém), 20-02-1989

Americanos intercedem

Em julho de 1988, 38 senadores dos Estados Unidos, liderados pelo presidente da Comissão de Energia e Recursos Naturais, Dale Rumpers, encaminharam à Frente Nacional de Ação Ecológica, que funcionava junto à Assembleia Nacional Constituinte brasileira, um apelo para que o governo do Brasil ratificasse o quanto antes o Protocolo de Montreal e a Convenção de Viena, visando reduzir o uso das substâncias destruidoras da camada de ozônio na atmosfera. Se essa camada mantivesse o ritmo de destruição que foi observado nos anos mais recentes, o Sudeste e o Centro-Oeste dos Estados Unidos continuariam sofrendo secas ou ondas de calor capazes de arruinar as principais safras agrícolas do país.
Fonte : Jornal da Tarde (SP), 08-07-1988

Pepsi em Belém

O “refrigerante da amizade”, concorrente mundial da Coca-Cola a partir do quartel-general nos Estados Unidos, a Pepsi-Cola, chegou a Belém no dia 9 de setembro de 1958, depois de se instalar em apenas outras cinco cidades brasileiras até então. (Manaus, Recife, Porto Alegre, Pelotas e Belo Horizonte). Na capital dos paraenses, o refrigerante seria engarrafado e distribuído por Produtos Vitória, com sua fábrica instalada na então distante avenida Almirante Barroso 1885, em meio a uma das maiores campanhas de publicidade já realizadas.

Os fabricantes manifestavam a convicção de que o consumidor de Belém  iria adorar o novo produto, “por sua alta qualidade, por seu sabor inigualável, por sua pureza e integridade”. Depois do “grande lançamento”, cujo sucesso “superou a expectativa”,  a Vitória prometia que a Pepsi servida aos paraenses continuaria a ser “o mesmo delicioso refrigerante, inalterável, puríssimo, saudável, refrescante”.

(Arquivo Pessoal, 1958)

Fábrica de celulose

Apenas a metade da produção da Fábrica de Celulose e Papel da Amazônia, de 4 mil toneladas anuais, instalada em Belém, era suficiente para abastecer, no início de 1972, o Pará inteiro de papel de embrulho, papel de embalagem, papel higiênico e papel-toalha. A outra metade era mandada para o Norte e a parte mais próxima do Nordeste, a partir de Pernambuco, um “imenso mercado dominado pela Facepa”.

A fábrica já havia crescido “39 vezes em 8 anos”, mas em 1973 estaria produzindo o dobro, como prometia um anúncio que a empresa divulgou. Utilizando pasta mecânica e celulose à base de madeiras brancas amazônicas, a Facepa dizia produzir “papel de qualidade superior e com matéria-prima de custo 50% mais econômico”. Transformaria a floresta tropical em “floresta de progresso”.

(Arquivo Pessoal, 1973)

Secretariado de Alacid

Secretariado com o qual o tenente-coronel Alacid da Silva Nunes iniciou o seu primeiro mandato como governador do Pará, em 1º de fevereiro de 1966 (até 1971, com um novo mandato entre 1979 e 1983):

CHEFIA DE GABINETE – Osvaldo Melo

FAZENDA – José Jacinto Aben-Athar

EDUCAÇÃO – Acy de Jesus Barros Pereira

AGRICULTURA – Walmyr Hugo dos Santos

OBRAS – José Maria Barbosa

DER – Alyrio César de Olivera

PROCURADORIA GERAL – Ofir Coutinho

DEA (Departamento de Águas e Esgotos) – Luís Gonzaga Baganha

IDESP – Adriano Veloso Menezes

POLÍCIA MILITAR – Antônio Cálvis Moreira

Os outros secretários e auxiliares do primeiro escalão, por ainda não terem sido colocados à disposição do Estado no dia da posse, só seriam nomeados depois, como Carlos Guimarães Pereira da Silva, José Magalhães e José Maria Condurú Pinto Marques.

CONSULTORIA GERAL – Otávio Mendonça

(Arquivo Pessoal s/d)

Eleição de 1965

Votaram 244.455 eleitores para o governo do Pará em 1965. Alacid Nunes, ex-prefeito de Belém, eleito indiretamente pelos vereadores, e candidato da situação, teve 163.527 votos. O ex-governador e ex-senador Alexandre Zacrias de Assunção, pela oposição, ficou com 67.166 votos. Houve 5.056 votos em branco e 8.806 nulos. Foi o momento de maior popularidade do recém-estabelecido regime militar. O então governador, Jarbas Passarinho, apoiou seu ex-colega de caserna. Depois se afastariam até o rompimento total.