As terras da Jari

Em abril de 1991, a Companhia Florestal Monte Dourado, sucessora do milionário americano Daniel Ludwig no Projeto Jari, encaminhou correspondência ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) alegando ser proprietária de 421.595 hectares dos 450 mil hectares que constituíam a Reserva Extrativista do Cajari, criada no final do governo Sarney.

A reserva foi estabelecida no Amapá com o apoio de diversas entidades ecológicas internacionais e do Ibama. Um pouco antes, o instituto embargara o trecho final da estrada Macapá-Jari porque a responsável pela obra, a C. R. Almeida, não apresentou o Relatório de Impacto Ambiental.

Fonte : O Globo (RJ), 27-04-1991

Um plano da ESG

Em março de 1990, a Escola Superior de Guerra divulgou a versão definitiva do documento “Estrutura de poder nacional para o ano 2001”, tendo como subtítulo “1990-2000: a década vital por um Brasil moderno e democrático”. Em três volumes, o documento era o resultado de 12 meses de trabalho, coordenado pelo professor Jayme Magrassi de Sá, com a participação de estagiários da escola e membros do seu corpo permanente.

Fonte : Folha de S. Paulo (SP), 29-08-1990

Índios: origem mais antiga

No final de 1991, a pesquisadora americana Anna Curtenius Roosevelt publicou, juntamente com duas colaboradoras, artigo na revista Science. Nele, declarava haver datado um caco de cerâmica encontrado em Taperinha, a nove horas de barco de Santarém, no Pará, com sete mil a oito mil anos. Esse caco, com incisões, seria pelo menos três mil anos mais velho do que qualquer outro produzido por incas, astecas ou maias.

A descoberta acabaria com a ideia de que culturas complexas da Amazônia, como as do Marajó e de Santarém, seriam resultantes apenas de incursões de vizinhos mais desenvolvidos. Roosevelt sustentou no artigo que, cerca de mil anos antes, Santarém era o centro de sociedades complexas, de origem desconhecida, mas não necessariamente provenientes do Norte.

Para datar o pedaço de caco, Roosevelt usou as melhores técnicas em arqueologia, como o radiocarbono e a termoluminescência. A pesquisadora é bisneta do 26º presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que governou de 1901 a 1909 e esteve na Amazônia em 1904, com o marechal Cândido Mariano Rondon.

Fonte : Folha de S. Paulo (SP), 13-12-1991

Menos castanhais

Em 1978, técnicos do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Trópicos Úmidos (CPATU), da Embrapa, estimavam a existência de 260 mil hectares de castanhais nativos na região do Tocantins, no Pará, tendo como principal centro o município de Marabá, dos quais 201 mil hectares estavam destinados à exploração.

Cinco anos depois a área em produção foi reduzida em 11% e a extração de castanha-do-pará cedeu lugar a novas atividades, mais intensivas no uso da terra, como a pecuária de corte e a extração de madeira.

Fonte : Jornal do Brasil (Belém), 19-01-1987

Conselho da Sudam

Em junho de 1991, o presidente Fernando Collor de Mello assinou lei modificando a composição do Conselho Deliberativo da Sudam. O Condel passou a ter representantes de todos os Estados da Amazônia Legal; um representante dos ministérios da educação, saúde, economia, agricultura, infraestrutura e ação social; o secretário do desenvolvimento regional; um representante da Secretaria de Assuntos Estratégicos; o superintendente da Sudam; um representante das classes produtoras; um representante das classes trabalhadoras, e o presidente do Banco da Amazônia.

Fonte : O Liberal (Belém), 15-06-1991

Projeto das eclusas

Em setembro de 1981, a diretoria da Portobrás aprovou o projeto básico e o orçamento da obra das eclusas de Tucuruí, no rio Tocantins, no Pará, prevendo investimento de 13 bilhões de cruzeiros (a preços de maio de 1980).

Para a transposição do desnível criado pela barragem, seriam construídas duas eclusas, de montante e de jusante, um canal de acesso e instalações hidráulicas. Ao mesmo tempo, a Portobrás aprovou a minuta de um contrato com a Construtora Camargo Correa, principal empreiteira da hidrelétrica, para a construção do sistema de transposição.

Fonte : O Liberal (Belém), 04-09-1981

As eclusas de Tucuruí começam

As primeiras verbas para aplicação na obra das eclusas da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, depois da sua inauguração, foram liberadas pelo governo federal em março de 1985. Os 5 bilhões de cruzeiros de cruzeiros aplicados no sistema de transposição da barragem, no rio Tocantins se originaram do Proterra, na conta “apoio a projetos de desenvolvimento regional”.

O cronograma da Portobrás exigia a aplicação, em 1985, de Cr$ 35 bilhões. A obra completa custaria Cr$ 144 bilhões, dos quais Cr$ 34 bilhões já haviam sido aplicados até aquele ano.

Fonte : O Liberal (Belém), 10-03-1985